União Europeia apela aos Estados Unidos que “reconsiderem” decisão de sair da OMS

“A cooperação global e a solidariedade, através de esforços multilaterais, são as únicas vias eficazes e viáveis ​​para vencer esta batalha que o mundo está a enfrentar”, garantem Ursula von der Leyen e o vice-presidente da Comissão Europeia Josep Borrell.

O corte de relações entre os Estados Unidos e a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou esta sexta-feira de ameaça presidencial a realidade, depois de Donald Trump ter lançado mais farpas a Pequim e acusado a segunda maior potência do mundo de controlar esta organização internacional.

Agora, a União Europeia está a tentar persuadir Washington a reconsiderar a decisão. Numa mensagem publicada este sábado, a Comissão Europeia e o diplomata Josep Borrel apelam a que o país retroceda no corte de relações com a OMS porque a crise pandémica exige cooperação entre todos os países.

“Diante desta ameaça global, agora é hora de melhorar a cooperação e soluções comuns. Ações que enfraquecem os resultados internacionais devem ser evitadas”, defendem Ursula von der Leyen e o vice-presidente da Comissão e Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

O presidente norte-americano criticou a diferença das contribuições dadas à OMS pelos EUA e pela China (40 milhões de dólares anuais versus 450 milhões de dólares anuais). Sobre esse ponto, Bruxelas refere que os Estados-membros continuam a apoiar a OMS na luta contra a Covid-19 e que, inclusive, atribuíram fundos adicionais. “A cooperação global e a solidariedade, através de esforços multilaterais, são as únicas vias eficazes e viáveis ​​para vencer esta batalha que o mundo está a enfrentar”, garantem Ursula von der Leyen e Josep Borrell.

Em conferência de imprensa na Casa Branca, Donald Trump disse que “o mundo precisa de respostas da China sobre o vírus”. “Nós precisamos de ter transparência. Porque é que a China afastou as pessoas infetadas de Wuhan para todas as outras partes da China? [As autoridades chinesas] permitiram que eles viajassem livremente pelo mundo, incluindo a Europa e os Estados Unidos”, afirmou ontem ao final da tarde.

Os dirigentes da Comissão Europeia ‘responderam’ que os países europeus que pertencem à OMS concordaram em iniciar, “o mais cedo possível, uma avaliação imparcial, independente e abrangente para rever a resposta global à pandemia” e ressalvam que essa apreciação “é necessária, porque há lições a serem aprendidas”. “A avaliação do nosso desempenho coletivo em nível internacional é apenas um processo necessário, com o objetivo de fortalecer a segurança da saúde”, pode ler-se no mesmo documento.

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