Unibanco cria conta digital para chegar aos consumidores que não ligam a crédito

A conta é movimentada através de um cartão pré-pago que pode ser carregado com um mínimo de 10 euros para depois, através da ‘app’, fazer levantamentos de dinheiro, pagamentos de serviços e de faturas por débito direto, transferências via MB Way ou a crédito. “Tem a simplicidade de juntar num único ponto de contacto todos os pagamentos, como água, luz ou Netflix”, diz a diretora Marília Araújo ao JE.

Receber ofertas de cartão de crédito da loja

A Unibanco, marca de soluções financeiras e de pagamentos da Unicre, lança esta segunda-feira a sua primeira conta digital que pode ser movimentada a partir de um cartão virtual pré-pago que permite aos clientes receberem e enviarem dinheiro, fazerem pagamentos e compras em Portugal ou no estrangeiro.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), a diretora do Unibanco explica que este lançamento, além da expansão da oferta de produtos/serviços, representa mais um passo na disponibilização de experiências digitais de pagamento e gestão do dinheiro rápidas e cómodas, mesmo para quem não valoriza a componente de crédito – que sempre foi a solução core da marca.

“Em cima dessa conta posso ter uma recorrência de pagamento da minha água ou luz. Resulta da nossa revisão de propósito, que se iniciou em 2019, de repensar os nossos negócios. Temos 40 anos de experiência em pagamentos, fomos os primeiros a colocar cartões de crédito em Portugal e entendemos que era necessário capitalizar esse conhecimento. Com a PSD2 (Payments Services Directive 2), migrámos da visão única de cartão para contas de pagamento”, refere Marília Araújo.

O cartão digital pode ser carregado com um mínimo de 10 euros para depois, através da app, fazer levantamentos de dinheiro, pagamentos de serviços e de faturas por débito direto, transferências P2P (envio ou pedido de dinheiro de pessoa para pessoa via MB Way) ou transferências a crédito.

“Não é a vertente crédito que está em causa. É uma facilitação dos pagamentos do dia a dia. Nós, consumidores, gostamos de comprar. Não gostamos depois é de pagar. Valorizamos o produto e depois o pagamento queremos que seja muito simless e não ocupe tempo”, diz ao JE.

Esta nova conta digital transaciona em euros e é acessível através da aplicação móvel da empresa, onde será possível consultar e gerir todos os movimentos do cartão para obter maior controlo sobre as despesas diárias, à semelhança do que acontece com as apps dos bancos tradicionais ou fintechs. Além da versão digital, o utilizador pode pedir a versão física do cartão e recebê-lo em casa a sem custos extra.

“Queremos dar aos clientes soluções de pagamentos simples que aderecem todas as fases da sua vida. A conta tem um limite máximo de cinco mil euros/dia e permite pagar as subscrições, como por exemplo a conta Netflix ou Spotify. Tem a simplicidade de junção num único ponto de contacto de todos os seus pagamentos. Se o cliente for nativo digital pode utilizar apenas essa vertente, mas se quiser ter um cartão físico pode fazê-lo. É opcional”, explica a diretora do Unibanco.

No início de 2020, o Unibanco – que tem apenas um balcão em Lisboa – disponibilizou ao mercado a hipótese de aderir ao cartão e a créditos pessoais de sem qualquer burocracia que envolvesse papel, através de um processo digital pelo website/app da empresa. Hoje, a adesão a esta funcionalidade ronda os 65%. “Sentimos um pulsar novo. 2020 foi de facto disruptivo na questão dos pagamentos. O digital já era uma tendência, mas o ano passado trouxe-nos totalmente para o digital e para uma componente de pagamentos mais tecnológica”, garante.

Marília Araújo antevê uma “evolução” que acabará por elevar o limite dos pagamentos contactless a  ser de 100 euros, em vez dos atuais 50 euros, garantindo os padrões de segurança, até porque os pagamentos ‘sem contacto’ passaram para uma penetração de 40%-50%. “Era uma tecnologia que queríamos há muitos anos implementar, porque entendíamos que tinham um use-case muito interessante, mas os clientes não valorizavam. Em 2020 nasceu a necessidade de não tocar no terminal”, sublinhou a gestora que chegou à Unicre em 2006 e liderou o negócio de cartões e crédito ao consumo da instituição financeira.

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