Universidades querem reforçar oferta formativa para estudantes chineses

O reforço da oferta formativa e o ensino da cultura e da forma de fazer negócio são algumas das prioridades da Universidade de Coimbra e do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e a expectativa é que este investimento venha a aumentar.

As universidades têm vindo a investir mais na captação de estudantes oriundos da China, num esforço conjunto para aproximar ainda mais os dois países. O reforço da oferta formativa e o ensino da cultura e da forma de fazer negócio são algumas das prioridades da Universidade de Coimbra e do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) e a expectativa é que este investimento venha a aumentar.

Trata-se de um investimento estratégico tendo em conta “a impressiva iniciativa ‘uma faixa, uma rota’, que mais do que contornos económicos e financeiros e um investimento singular na história mundial, tem um projeto geoestratégico”, afirmou João Calvão da Silva, vice-reitor da Universidade de Coimbra, no seminário de comunicação e cooperação financeira e internacional da iniciativa “faixa e rota”.

João Calvão da Silva explicou que a Universidade de Coimbra tem vindo a multiplicar a oferta formativa para estudantes provenientes da China, com investimento em cursos de ensino da língua portuguesa e na criação de uma academia sino-lusófona. Com o Instituto Confúcio da Universidade de Coimbra, a universidade tem promovido a língua e cultura chinesa entre os estudantes portugueses. Entre a oferta disponível estão também cursos de Medicina Tradicional Chinesa e um clube de chinês para crianças.

“A Universidade de Coimbra tem como pilar essencial a valorização do ensino em português e do espaço lusófono. Além dos países de língua portuguesa e da União Europeia, a Índia é outro dos países a que não podemos fechar os olhos, mas neste reitorado, a aposta estratégica tem sido a China”, disse.

Também o ISEG vê “com muito bons olhos a maior proximidade e intercâmbio de professores, investigadores e estudantes”, indicou a presidente do ISEG, Clara Raposo. A gestora acredita que o sucesso da iniciativa ‘uma faixa, uma rota’ “depende também de fatores-chave como a educação, a ciência e a mobilidade académica” e é preciso aprofundar laços entre os dois países.

“Recebemos atualmente em todas as 17 faculdades, um número significativo de estudantes chineses, temos protocolos com muitas universidades chinesas e até ao projeto de uma universidade conjunta em Xangai”, disse a presidente do ISEG.

O ISEG tem, segundo Clara Raposo, cursos onde se dá “formação quer sobre a língua e cultura da China e até para o mundo dos negócios, sobre a realidade que se vive na China e as perspetivas existem para o futuro”. “É um tipo de formação que temos feito em Portugal, mas até consideramos estender a outros países dos PALOP, ajudando a promover mais a iniciativa ‘faixa e rota'”, afirmou.

Maria Fernanda Ilhéu, presidente da Associação Amigos da Rota da Seda, salientou também a importância desta iniciativa, que “nasceu na China mas está voltada para o mundo”. “A China tem uma visão e um desenvolvimento inovador, coordenado, verde e aberto a todos. Centra-se nas mudanças profundas que têm afetado o mundo desde a crise de 2008, cujos impactos financeiros continuam a ter um impacto negativo na economia mundial”, disse.

 

Antídoto para futuras crises mundiais

Entre os oradores desse painel esteve também o administrador da Megafin [dona do Jornal Económico] Luís Figueiredo Trindade, que falou sobre a sua experiência pessoal na China e a importância do investimento chinês para a minimização de eventuais crise económicas e financeiras que possam vir a acontecer no futuro e, em particular, na economia portuguesa.

“Temos que aprender muito com a iniciativa ‘uma faixa, uma rota’. O tecido empresarial português ainda tem de ganhar conhecimento para valorizar o que temos de melhor para oferecer, aprender com base nas diferenças culturais existentes e compreender como chegar à China”, afirmou.

O administrador da Megafin defende que Portugal e os países de língua portuguesa devem ter um papel mais ativo e apresentar “medidas concretas e práticas” para o mercado chinês. A medida é premente sobrtudo numa altura em que a economia mundial caminha para “um modelo existente no Japão há quase 20 anos”, com o taxas de crescimento quase inexistentes e elevados níveis de endividamento .

“Assim, como esta iniciativa nos apoiou para a crise que vivemos há dez anos, está disponível para precavermos o futuro. As consequências vão ser grandes, nomeadamente a possibilidade de entrar numa crise maior do que aquela que já tivemos”, disse, sublinhando que o impacto de uma eventual crise pode ser “minimizado com o apoio da economia chinesa”.

Ler mais
Recomendadas

PremiumMecenas financiam projeto de formação de sete milhões de euros

Banco Santander, Vanguard Properties, empresária Ming C. Hsu, Amaral y Hijas, bi4all, família Alves Ribeiro e Fundação José Neves são doadores, revela Pedro Santa Clara, Diretor da 42 ao Jornal Económico.

PremiumPedro Santa Clara abre escola digital de vanguarda

Na escola 42, não há professores, nem avaliação, mas as aulas são presenciais. Os alunos não pagam. O primeiro curso arranca em fevereiro de 2021 e as candidaturas já estão abertas. O Jornal Económico foi conhecê-la.
KKR

KKR investe 150 milhões na MasterD para apoiar desenvolvimento profissional em Portugal

A KKR, firma de investimento líder, e a MasterD, empresa líder em formação em Portugal e Espanha, anunciaram hoje um acordo através do qual a KKR adquirirá uma participação maioritária na MasterD. O seu fundador, Luis Gómez, e a equipa de direção vão reinvestir na empresa em conjunto com a KKR.
Comentários