Ursula von der Leyen: “Temos de manter os apoios, pois o vírus e a incerteza permanecem”

A alemã que lidera a Comissão Europeia proferiu esta quarta-feira o seu primeiro discurso do ‘Estado da União’, no Parlamento Europeu. “Chegou a altura de continuarmos”, frisou, em relação aos apoios para a economia da União Europeia, após uma retração de 12% no segundo trimestre.

Clemens Bilan/EPA via Lusa

A União Europeia (UE) reagiu de forma “notável” à crise económica causada pela pandemia de Covid-19, mas precisa de manter e desenvolver os apoios, pois o coronavírus e a incerteza continuam presentes, afirmou esta quarta-feira Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, alertando, no entanto, que é preciso manter o equilíbrio entre estes apoios e a sustentabilidade orçamental.

“Esta não é, certamente, a altura de retirar o apoio [económico]”, explicou von der Leyen, no primeiro discurso anual ‘Estado da União’ do seu mandato, no Parlamento Europeu.

Inaugurado pelo antigo presidente da Comissão José Manuel Durão Barroso, em 2010, o discurso do Estado da União marca a ‘rentrée’ depois das férias de verão, dando a oportunidade ao executivo comunitário e os eurodeputados discutirem os grandes desafios e prioridades para os 12 meses seguinte. Este ano a pandemia da covid-19 é o tema incontornável e inclusivé obrigou a mudança do discurso de Estrasburgo para Bruxelas.

Von der Leyen salientou que a UE agiu de forma celére. “Pela primeira vez, e para tempos excepcionais, a Europa implementou as suas próprias ferramentas para complementar os estabilizadores orçamentais”, afirmou. “É um momento notável na história da União”, disse, referindo também o impacto positivo das medidas implementadas pelo Banco Central Europeu, nomeadamento o Pandemic Emergency Purchase Programme, de 1,35 biliões de euros.

“Chegou a altura de continuarmos”, frisou, recordando que a economia da UE sofreu uma recessão de 12% no segundo trimestre. Recordou, no entanto que  essencial manter o equlibirio entre os apoios à economia e a a estabilidade orçamental.

Salário mínimo para todos

Para von der Leyen, a “confiança no euro nunca foi tão forte como agora”, uma situação que a UE tem de oportunidade para implementar reformas estruturais, como por exemplo a união do mercado de capitais.

Um mercado de capitais “profundo e líquido” é essencial para financiar as empresas durante a fase de recuperação da economia e fortalecer o papel internacional do euro, explicou. “Vamos avançar o trabalho e finalmente completar este projeto geracional”.

A presidente da Comissão Europeia agradeceu os deputados europeus pela rapidez na aprovação do programa SURE, lançado em abril como instrumento financeiro temporário para atenuar os riscos de desemprego em situação de emergência. “Se a Europa conseguiu o desemprego em massa visto noutros sítios, é porque milhões usaram este programa”.

Ainda no campo laboral, Von der Leyen afirmou que a Comissão vai apresentar uma proposta para um quadro de salários mínimos. “Todos têm de ter acesso a um salário mínimo”, sublinhou. “Os salários mínimos funcionam e está na altura do trabalho ser remunerado”.

[Atualizada às 9h32]

Ler mais

Relacionadas

Von der Leyen: “É o momento da Europa passar da fragilidade para uma nova vitalidade”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu hoje, no seu primeiro discurso sobre o Estado da União, que é momento de a Europa “passar da fragilidade para uma nova vitalidade”, após os impactos da pandemia de covid-19.

Estado da União Europeia domina ‘rentrée’ do Parlamento Europeu marcada pela covid-19

O primeiro discurso sobre o Estado da União proferido pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é o grande destaque da sessão plenária da próxima semana do Parlamento Europeu, ‘transferida’ de Estrasburgo para Bruxelas devido à covid-19.

União Europeia “muito preocupada” que Reino Unido rasgue acordo do Brexit

Ignorando as advertências que já recebeu de Bruxelas, relativamente que a quebra do tratado iria impedir qualquer acordo comercial, Londres garantiu que iria ignorar algumas partes do acordo assinado em janeiro deste ano, que colocou um ponto final a anos de negociação.
Recomendadas

Costa diz que Conselho de Ministros prepara-se para tomar medidas hoje perante “alarmante propagação da pandemia”

Depois de Portugal ter atingido o pior dia da pandemia desde o seu início há 10 meses, o Governo reúne-se hoje. Fonte do executivo avançou que o Governo vai encerrar as escolas e universidades do país a partir de sexta-feira, segundo a agência Lusa.

Presidente da República concorda com fecho de escolas e universidades: “É uma boa solução”

O Governo prepara-se para decidir hoje o fecho das escolas e universidades a partir de sexta-feira, segundo fonte do executivo citada pela Lusa. Portugal atingiu ontem o pior dia em mortes e infeções desde o início da pandemia há 10 meses.

Governo decide hoje encerrar todas as escolas a partir de sexta-feira

O Governo vai decidir hoje, em Conselho de Ministros, o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino, do Básico ao Superior, com efeitos a partir de sexta-feira, disse à agência fonte do executivo.
Comentários