Vamos falar de desenvolvimento

Também existem valores regionais para o IDH: a Região Autónoma da Madeira (RAM) tem 0,800, o 2.º valor mais baixo das 7 regiões portuguesas, apenas atrás dos Açores. Comparando com  países, a RAM estaria em 58.º lugar a nível mundial, empatado com Barbados e Cazaquistão, e em último a nível da União Europeia!

Em termos mensuráveis e práticos, o desenvolvimento leva em conta múltiplas variáveis, qualitativas e quantitativas. Engloba o conceito de crescimento económico, mas não se confunde com este, porque é mais abrangente. O crescimento económico avalia-se pela medição do nível de atividade económica, normalmente através dum indicador popular, mas longe de ser perfeito, que é o Produto Interno Bruto, mais conhecido por PIB. O desenvolvimento não é tão consensual quanto ao que engloba para além do crescimento económico, podendo levar em conta aspetos como evolução das condições materiais particulares de vida e de infraestruturas públicas, da longevidade, do nível de escolaridade, e do nível de desigualdade de rendimentos e pobreza.

Um dos índices que se tem distinguido pela sua popularidade para medir o desenvolvimento é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que, tal como o PIB, está longe de ser perfeito. Enfim, o pragmatismo dos diplomatas, dos economistas e dos políticos tem levado a que se usem sobretudo indicadores como o PIB e o IDH, limitados e imperfeitos, mas facilmente comparáveis internacionalmente e relativamente baratos de serem produzidos. Não são ótimos, mas é compreensível que sejam utilizados oficialmente. Há um caminho a percorrer até à substituição destes indicadores por outros que sejam, sobretudo, mais abrangentes, dando maior importância a aspetos como a sensação de alegria e felicidade ou as sustentabilidades ambiental e macroeconómica.

Talvez não seja muito surpreendente notar que, historicamente, têm sido economistas e estaticistas a desenvolverem estes 2 indicadores e, diplomática e politicamente a Organização das Nações Unidas a grande responsável pela popularização e oficialização destes 2 indicadores, o PIB desde a Conferência de Bretton Woods em 1944 e o IDH desde o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) de 1990.

Atualmente, o IDH leva em conta apenas indicadores relacionados com 3 dimensões: esperança de vida à nascença, escolaridade, e produto medido em paridade de poder de compra (PPC) em dólares (USD). Ou seja, tudo o resto fica de fora. Lá está, mais uma vez com o pragmatismo de diplomatas e economistas, é o que há, é o que se usa. Como é facilmente comparável internacionalmente e menos incompleto do que o PIB, é preferível para falarmos de desenvolvimento. Tem a vantagem de, no produto em PPC, levar-se em conta o nível de preços em cada economia. Por exemplo, 5 USD num país em que uma dúzia de ovos custa 1 USD dá para comprar 5 dúzias de ovos, mas num país em que custa 5 USD só dá para comprar uma dúzia. Essa diferença é levada em conta, e como o que interessa para o bem-estar do indivíduo é quantos ovos pode comprar com 5 USD e não quantos dólares tem no bolso, faz sentido. Claro que tem limitações: a qualidade escolar varia muito de país para país, a qualidade de vida não tem expressão na esperança de vida, o USD não é uma unidade de medida com valor fixo, entre outras.

No último RDH publicado, com dados de 2017, e sabendo que a escala do IDH varia entre 0 e 1, Portugal aparece em 41.º lugar a nível mundial, com 0,847, empatado com a Letónia e quase igual ao Bahrain (o 1.º da lista é a Noruega com 0,953, o último é o Níger em 189.º com 0,354). Também existem valores regionais para o IDH: a Região Autónoma da Madeira (RAM) tem 0,800, o 2.º valor mais baixo das 7 regiões portuguesas, apenas atrás dos Açores. Comparando com  países, a RAM estaria em 58.º lugar a nível mundial, empatado com Barbados e Cazaquistão, e em último a nível da União Europeia!

Esta comparação estatística deverá servir para fazer perceber, à população em geral, e aos decisores políticos em particular, que poderíamos estar muito melhor em termos de desenvolvimento, e que para obtermos melhores resultados teremos de mudar as nossas escolhas coletivas, as nossas mentalidades e as nossas prioridades.

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