Vem aí nova onda de revisões em baixa das notações de dívidas soberanas, alerta S&P

Com o aumento dos gastos públicos na grande maioria dos países mais desenvolvidos, de forma a fazer face à crise sanitária e económica que gerou a propagação do novo coronavírus, a agência financeira teme que uma boa parte das nações sofra uma diminuição da sua capacidade de financiamento.

A S&P Global deverá avançar com uma segunda onda de revisões da notação da dívida pública nacional das economias de todo o mundo, reporta a Reuters. O chefe do departamento de análise de dívidas soberanas da agência acrescenta que até as economias mais desenvolvidas do mundo estarão sujeitas a descidas na avaliação à sua capacidade de cumprir as suas obrigações financeiras.

Depois de ter já descido a notação da dívida de 60 países este ano, mas maioritariamente economias pouco desenvolvidas, a S&P avisa agora que o aumento galopante da despesa com saúde, serviços públicos ou mecanismos de preservação de postos de trabalho deverá resultar em alterações à avaliação que a agência faz da saúde financeira dos países mais desenvolvidos.

O analista chefe do departamento de análise de dívidas soberanas relembra que a tremenda subida nas dívidas públicas de vários países desenvolvidos, que acumularam em meses 15 a 20 pontos percentuais de dívida em função do PIB, constituem uma fonte de preocupação.

Com 31 países colocados numa perspetiva desfavorável, a probabilidade de uma grande percentagem destes ver o seu rating atualizado para uma nota mais baixa é bastante elevada. Neste grupo incluem-se a Austrália, Espanha ou Itália.

Portugal manteve a sua notação em ‘BBB’, dois níveis acima do que a agência considera lixo, e uma perspetiva ‘estável’ em meados de setembro, quando a S&P atualizou a notação da dívida nacional.

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