Venezuela: Colômbia, Bolívia e Paraguai condenam expulsão da embaixadora da União Europeia

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, expulsou na segunda-feira a embaixadora da UE no país, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, horas depois da União Europeia sancionar 11 funcionários de Caracas.

Os Governos da Colômbia, Bolívia e Paraguai condenaram na segunda-feira a expulsão da embaixadora da União Europeia (UE) na Venezuela, a portuguesa Isabel Brilhante, por ordem do Presidente Nicolás Maduro.

“Rejeitamos a decisão (…) tomada pelo regime ilegítimo de Nicolás Maduro. Continuamos em nosso chamado à comunidade internacional para impedir a tirania em nosso país irmão”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia numa publicação na rede social Twitter.

Por seu lado, o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai publicou outra mensagem na mesma rede social na qual “lamenta a decisão do regime ilegal de Maduro de expulsar o representante da UE na Venezuela” e que deve deixar o país sul-americano nas próximas 72 horas.

O Governo de Mario Abdo Benítez, além disso, “insta a comunidade internacional a continuar a trabalhar pela cessação da tirania e a promover o regresso da democracia” na Venezuela.

Por outro lado, o Governo da Bolívia emitiu uma breve declaração também para condenar a expulsão de Brilhante.

“O Governo da Bolívia condena a expulsão (…). E também reafirma seu apoio à União Europeia nos múltiplos esforços que está a fazer para alcançar uma solução pacífica e democrática para a crise na Venezuela”, pode ler-se na nota oficial.

Já o político Júlio Borges, representante do líder opositor venezuelano Juan Guaidó perante o Grupo de Lima, condenou “a injusta expulsão”.

“Este é um novo atropelo da ditadura que reflete o seu desconforto perante as questões levantadas pelas democracias do mundo. Nicolás Maduro isolou a Venezuela dos nossos vizinhos e principais sócios, mas a pressão internacional continuará até alcançarmos a mudança que todo o país espera”, afirmou no Twitter.

Também o líder opositor e ex-candidato presidencial, Henrique Capriles Radonski, expressou a sua “solidariedade com a embaixadora”.

“Rejeitamos a expulsão. Solidário com a embaixadora, uma pessoa que sempre promoveu uma solução política e pacífica para os venezuelanos”, escreveu no Twitter.

Para o deputado Tomás Guanipa “estas ações de Nicolás Maduro reafirmam o seu caráter autoritário e a sua negação a encontrar uma saída à crise” na Venezuela.

Segundo o deputado Carlos Valero, a expulsão é uma decisão “absolutamente irresponsável”.

“A UE tem insistido incansavelmente na necessidade de procurar ajuda humanitária em meio da pandemia (da covid-19), inclusive organizando uma conferência de doadores. Maduro isola ainda mais o país sem pensar no sofrimento do nosso povo”, afirmou.

Também a deputada Sandra Flores-Garzón manifestou-se “solidária” com a portuguesa, “perante esta investida do regime”.

“Embaixadora, a Venezuela é a sua casa. Agradecemos o seu compromisso e o da UE com a restauração da democracia no meu país”, escreveu.

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, expulsou na segunda-feira a embaixadora da UE no país, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, horas depois da União Europeia sancionar 11 funcionários de Caracas.

Maduro começou por explicar que a UE divulgou uma resolução “em que a supremacista UE sanciona aqueles venezuelanos que, formando parte de instituições do Estado, defendem a Constituição”.

“Quem são eles para sancionar, para se tentarem impor com a ameaça? Quem são? Basta! É por isso que decidi dar à embaixadora da UE em Caracas 72 horas para deixar o nosso país e exigir respeito da UE”, disse Nicolás Maduro durante uma intervenção televisiva.

“Basta de intervencionismo colonialista, de ‘supremacismo’ e de racismo! Já basta!”, enfatizou.

Os sancionados são acusados de “atuar contra o funcionamento democrático da Assembleia Nacional (parlamento) e de violar a imunidade parlamentar” dos deputados, inclusive do líder opositor e presidente daquele órgão, Juan Guaidó. Os 11 sancionados estão ainda proibidos de se deslocar para espaço europeu e os seus ativos foram congelados.

Entre 2008 e 2011, Isabel Brilhante Pedrosa, desempenhou as funções de cônsul-geral de Portugal em Caracas, período que coincidiu com o forte impulso político e económico das relações bilaterais, promovido pelos à data Presidente e líder da revolução bolivariana, Hugo Chávez (1954-2013), e primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates.

A Venezuela tem, desde janeiro, dois parlamentos (Assembleia Nacional) parcialmente reconhecidos, um de maioria opositora, liderado por Juan Guaidó, e um pró-regime, liderado por Luís Parra.

A crise política, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino do país, até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um Governo de transição e eleições livres. Guaidó conta com o apoio de quase 60 países.

Ler mais
Recomendadas

É oficial: Donald Trump retira Estados Unidos da OMS

“O Congresso recebeu a notificação de que o Presidente retirou oficialmente os Estados Unidos da OMS em plena pandemia”, escreveu no Twitter o senador democrata Robert Menendez. Washington e ONU já confirmaram.

“Gripezinha ou resfriadinho”. Imprensa brasileira relembra declarações de Bolsonaro sobre a Covid-19

Presidente sempre desvalorizou doença, comparando-a a uma “gripezinha” ou “resfriadinho” e promovendo o uso de hidroxicloroquina, que afirma já ter tomado. Reações das redes sociais também merecem destaque na imprensa.

Comprar uma marca de sapatos. Warren Buffett elege “erro mais terrível”

Embora Warren Buffett estivesse errado sobre as perspetivas da Dexter, reconheceu a ameaça que logo afundaria a empresa: os sapatos importados e baratos, vindos de países com baixos salários.
Comentários