Ao longo do século XX, a Venezuela acolheu importantes comunidades estrangeiras, entre elas a portuguesa, que continua a ser de algumas centenas de milhares – os números mais recentes apontam para meio milhão – e a manter forte presença no comércio, principalmente supermercados, padarias, mercearias e serviços. Outros números indicam que a comunidade portuguesa quando observada mais genericamente com os luso descendentes, pode chegar a 1,2 milhões de pessoas – num país onde moram mais de 34 milhões de habitantes.
Mais de 80% da comunidade é originária da Região Autónoma da Madeira, mas também há portugueses do norte de Portugal continental, principalmente de Aveiro, e em menor quantidade das ilhas dos Açores. A comunidade continua a ser uma das mais influentes da diáspora e vista pelos venezuelanos como das mais integradas no país de acolhimento.
Sobre o número de portugueses e luso-descendentes a viverem no país, o Governo português refere que cerca de 220.000 pessoas estavam registadas nos serviços consulares na Venezuela em novembro do ano passado, mas este número não inclui os luso-descendentes, pelo que as autoridades calculam que a dimensão da comunidade “seja bastante superior”, e tendo em conta que o registo consular não é obrigatório.
A comunidade portuguesa na Venezuela é uma das maiores da diáspora, sendo a segunda maior da América Latina, depois do Brasil. Além de Caracas, a capital do país, é possível encontrar importantes núcleos de portugueses e luso-descendentes nas cidades de Valência, Maracay, Barquisimeto e Maracaibo, entre outras.
Em cidades como Los Teques, no estado venezuelano de Miranda, Mérida, no estado de Mérida, Puerto La Cruz, em Anzoátegui, e Puerto Ordáz, no estado de Guayana, os portugueses são também muitas vezes referenciados como exemplos de integração e pelos que serviços que prestam localmente aos venezuelanos.
Nos estados de Miranda e Arágua, os portugueses e luso-descendentes desempenham também um papel importante na produção abastecimentos de flores, produtos hortícolas e verduras a grandes cidades, entre elas Caracas e Valência.
Após os ataques de hoje na Venezuela, por parte dos Estados Unidos, o Governo português declarou hoje como prioritária a segurança dos portugueses naquele país e apelou à redução das tensões e ao respeito pelo Direito Internacional.
Numa nota, o ministério liderado por Paulo Rangel indicou que a comunidade portuguesa na Venezuela se encontra “bem e calma, embora naturalmente expectante”. Uma vez que as autoridades venezuelanas decretaram estado de emergência, o Governo “reafirma o apelo à tranquilidade e precaução” já dirigido antes, em comunicado, à comunidade portuguesa na Venezuela.
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