Ventura quer “investigação sem fim, sem necessidade de bodes expiatórios, mas sem medo” na CPI ao Novo Banco

O deputado do Chega! voltou a realçar a necessidade de investigar “quem, de que forma e como recebeu dinheiro do antigo Banco Espírito Santo para financiar campanhas eleitorais”, assim como o processo de resolução do BES e o papel do supervisor.

O deputado único do Chega!, André Ventura, defendeu esta sexta-feira no Parlamento uma “investigação sem fim” àquele que classificou como “o maior escândalo em democracia em Portugal no uso do dinheiro dos contribuintes”, referindo-se à resolução do BES e venda do Novo Banco.

“Hoje é o momento de não fugirmos a essa questão e para lá das vendas do Novo Banco, investigarmos quem, de que forma e como recebeu dinheiro do antigo Banco Espírito Santo para financiar campanhas eleitorais. Quem, de que forma e como recebeu dinheiro muitas vezes criminoso para poder financiar as suas campanhas e os seus projetos políticos enquanto atacava outros por supostamente serem financiados nas suas campanhas eleitorais. É preciso transparência, legalidade e sobretudo muito cuidado no uso dos dinheiros dos contribuintes”, afirmou o deputado na apresentação da proposta apresentada pelo partido para a constituição eventual de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao Novo Banco a votos no Parlamento, em Lisboa.

Depois de vincar que a CPI ao Novo Banco deve abranger os alegados “financiamentos ilícitos a campanhas”, como tem vindo a fazer, o parlamentar sustentou que “não podemos deixar para trás tudo o que aconteceu num dos episódios mais vergonhosos da nossa história, mas ao mesmo tempo sabemos porque a auditoria nos revelou que houve uma desastrosa operação de venda dos ativos do Novo Banco, com prejuízos de centenas de milhões, com bens vendidos abaixo do valor de mercado que envergonhariam em muito a imobiliária mais reles que o país pode ter”.

“Devemos sobretudo investigar porque foi autorizado pelo regulador”, acrescentou, afirmando que é necessária uma “investigação sem fim, sem necessidade de bodes expiatórios, mas sem medo àquele que foi o maior escândalo em democracia em Portugal no uso do dinheiro dos contribuintes”.

A proposta do Chega! é uma das quatro propostas votada esta sexta-feira, a par da proposta entregue pelo PS, Bloco de Esquerda e Iniciativa Liberal. Na iniciativa entregue, o partido propõe uma “Comissão Parlamentar de Inquérito com o objetivo de averiguar sobre o financiamento ilícito de todas as campanhas eleitorais onde eventualmente surjam ligações ao BES/GES, bem como escrutinar e avaliar as operações de alienação de ativos desenvolvidas pelo Novo Banco e as linhas de crédito concedidas, assim como a idoneidade dos seus destinatários e contrapartes negociais”.

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