Vespa asiática: Será assim tão perigosa como se pensa?

Apesar da sua invasão ser muito noticiada, os especialistas alertam que esta espécie não é mais perigosa para os humanos do que as suas primas europeias. As mortes só ocorrem em caso de alergia, ou se um enxame atacar em simultâneo.

Não é todos os dias que um inseto é notícia na comunicação social, mas as vespas asiáticas têm estado em destaque nas notícias. Apenas no espaço de um mês, foram detetadas vespas asiáticas num jardim em Lisboa e num parque em Sintra, obrigando à desinfestação dos locais.
Também conhecida por vespa velutina, é facilmente diferenciada das vespas europeias: a sua prima asiática é maior e tem uma cor mais escura. Outra diferença é que o seu ninho fica, geralmente, localizado na copa das árvores, com a entrada localizada na parte lateral ou superior, com a base fechada.

Perante as notícias, fica a pergunta: Será esta espécie mais perigosa para os humanos face à sua prima europeia? “Há várias perceções exageradas sobre as vespas asiáticas”, diz o diretor técnico da Rentokil Initial Portugal, Daniel Oliveira. “Como espécie invasora e predadora de insetos, a vespa velutina está a conquistar território em Portugal e afeta a apicultura. Mas só é perigosa para quem seja alérgico às picadas ou para quem tente destruir os ninhos sem respeitar as regras”, garante o biólogo.

Se é uma predadora das restantes abelhas, qual o seu impacto para a espécie nativa? “Uma das maiores preocupações prende-se com o facto de provocar a morte das abelhas não apenas diretamente, mas impedindo a sua saída ao procurar as colmeias para ingerir mel. Além dos prejuízos para os apicultores, o desaparecimento das abelhas é catastrófico para o meio ambiente, já que elas são as principais responsáveis pela polinização”, explica Daniel Oliveira, destacando que a espécie afeta a polinização em geral por comer também “todos os outros insetos”.

O responsável da empresa de controlo de pragas alerta que “além dos prejuízos para os apicultores, o desaparecimento das abelhas é catastrófico para o meio ambiente, já que elas são as principais responsáveis pela polinização”.

Por sua vez, José Aranha da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), destaca que o veneno não é “particularmente perigoso. O veneno dos insetos, vespas ou abelhas, só é perigoso para as pessoas que são alérgicas”.

“Com o devido respeito pelas pessoas que morreram e pelos seus familiares, as fatalidades de que tenho conhecimento ocorreram em duas circunstâncias: pessoas alergias e pessoas que acidentalmente deitaram o ninho abaixo e foram atacadas pelo enxame. No entanto, todos os anos morrem pessoas picadas pelas abelhas, mas não costuma ser notícia”, afirma o professor.

Na quinta-feira, um homem de 38 anos em Tondela morreu, supostamente picado por esta espécie, mas só a autópsia poderá confirmar a suspeita, noticiou a Lusa.

O especialista em insetos adianta que o Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagística da UTAD está a estudar o “resultado da instalação de armadilhas primárias nos meses de fevereiro a maio. Estas armadilhas permitem apanhar as vespas fundadoras e, deste modo, evita-se que se propaguem e que façam novos ninhos”.

“A captura de fundadoras é o método mais indicado e mais eficiente. As armadilhas e os iscos têm de ser seletivas de modo a não capturar tudo o que voa”, diz José Aranha.

Mas o professor da UTAD faz questão de separar as águas entre as diferentes vespas que existem em Portugal, destacando que a espécie asiática não é a mais agressiva a voar por aí. “Relativamente à agressividade, a vespa crabro [europeia], é mais agressiva que a vespa velutina [asiática]. Até a vespa vulgar é mais agressiva do que a vespa velutina”, esclarece José Aranha.

A vespa asiática chegou à Europa de maneira acidental há cerca de 10 anos. “Chegou a França num carregamento de material de jardinagem. Este carregamento trazia um ninho primário com uma vespa fundadora e esta deu origem ao início da invasão”. Chega a Portugal pouco tempo depois também através de um carregamento de madeira de França. “Possivelmente na casca dos toros vinha uma ou mais vespas fundadoras fecundadas que deram início à invasão no norte de Portugal”, conta o professor.

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