Vice-presidente da bancada socialista diz que acusação de estalinismo ao novo líder da JS é “grave e indigna”

Pedro Delgado Alves acusou Sérgio Sousa Pinto de “falta de noção” por ter apontado “o comportamento de um estalinista” a Miguel Costa Matos, por o ter omitido e a António José Seguro no discurso em que se referiu a outros ex-presidentes da Juventude Socialista.

Manuel de Almeida/LUSA

O vice-presidente do grupo parlamentar do PS Pedro Delgado Alves escreveu que Sérgio Sousa Pinto fez uma acusação “grave, indigna e com eco na imprensa” ao dizer que o novo presidente da Juventude Socialista (JS), Miguel Costa Matos, “teve o comportamento de um estalinista” ao ignorá-lo a si próprio e a António José Seguro num discurso em que se referiu a outros anteriores líderes da JS, como Alberto Arons de Carvalho, Margarida Marques, Pedro Nuno Santos, Duarte Cordeiro e Maria Begonha, a quem sucedeu.

“Qualquer observador atento sem dificuldades concluirá que mais do que estalinismo do Miguel, teremos talvez um problema de falta de noção de quem acusa. Nada que um pedido de desculpas por um momento infeliz ou irrefletido não corrija”, escreveu Pedro Delgado Alves no Facebook, defendendo que não faz sentido apontar tal acusação a Miguel Costa Matos, que integra o grupo parlamentar do PS (tal como Sousa Pinto), “por só ter feito referências a alguns dos 13 secretários e secretárias-gerais que o antecederam em três segundos da sua intervenção”.

Ainda no domingo, em declarações à Lusa, Miguel Costa Matos disse que as críticas de Sérgio Sousa Pinto foram injustas e resultaram de um “mal-entendido”, salientando que várias vezes destacou o papel desse antecessor na JS “na luta pela igualdade, designadamente pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez”. E sustentou que “era difícil referir-me a todos os anteriores 13 líderes da JS” no discurso, admitindo ainda assim que “todos foram importantes”.

Horas antes, Sérgio Sousa Pinto, que preside à Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, dissera também à Lusa que “a eleição de um estalinista é a pior desgraça que podia acontecer a uma organização como a JS”. “Nunca pensei que a JS tentasse apagar-me da sua memória”, acrescentou.

Além de Pedro Delgado Alves, tais declarações não passaram em claro a outros membros do grupo parlamentar ligados à ala esquerda do PS. Tiago Barbosa Ribeiro escreveu no Twitter que se tratou de “falta de noção histórica, ataque gratuito e disparate”, enquanto Eduardo Barroco de Melo comentou na mesma rede social que “há acusações que dizem mais de nós próprios do que dos acusados”.

Em novembro, numa entrevista ao Jornal Económico, Sérgio Sousa Pinto descreveu o colega de bancada parlamentar e agora líder da JS como “um rapaz bem intencionado” que “seguramente tem consciência de que a democracia em Portugal, aquela que lhe permite estar hoje sentado na Assembleia da República, investido num mandato que lhe foi conferido pelo povo, só foi possível porque houve o 25 de novembro e o PCP deixou de ter condições políticas e militares para sabotar a realização das primeiras eleições para a Assembleia da República, como já tinha tentado sabotar as eleições para a Constituinte”.

A posição muito crítica do presidente da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros contra os entendimentos do PS com os partidos à sua esquerda, mesmo depois de a “geringonça” não ter sido formalmente retomada no início desta legislatura, tem provocado atritos com deputados da ala mais à esquerda do partido.

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