Vodafone procura aliados para o 5G

Após a instalação da primeira antena de 5G no país, o operador quer “fomentar um ecossistema português propício ao desenvolvimento da nova tecnologia”.

A Vodafone Portugal instalou em 28 de março a primeira antena 5G em Portugal, após a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) ter libertado temporariamente o espectro na faixa dos 3,6 GHz, para testar a quinta geração das redes móveis em ambiente real. Um momento que fez a empresa liderada por Mário Vaz reclamar o estatuto de pioneira na corrida pelo 5G, num ano decisivo para a implementação da nova tecnologia no país. “Liderámos a introdução das anteriores tecnologias 3G e 4G. Acreditamos que o 5G não será exceção”, afirmou o Chief Tecnology Officer (CTO) da filial lusa do grupo britânico, João Nascimento, ao Jornal Económico.

Esta “bandeira” – hasteada com o apoio da Ericsson, “parceiro por excelência” do operador na corrida pelo 5G -, destina-se à fase de testes para empresas, universidades e startups que integram o centro de inovação “Vodafone 5G Hub”.

Estão neste grupo a Altran e a Celfinet, as empresas de crescimento rápido Nimest e Parkio, o Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

João Nascimento apontou a captação de mais parceiros tecnológicos no desenvolvimento de novos projetos dentro do formato 5G, a partir desta fase de testes.

“O objetivo da Vodafone é fazer crescer esta rede de parceiros por forma a representar todos os setores que beneficiarão desta tecnologia”, aclarou.

Lembrando também a primeira ligação 5G em Portugal com recurso a um protótipo de um smartphone de quinta geração, realizada pela Vodafone Portugal no passado mês de dezembro, o CTO_da telecom defendeu que são “estes significativos passos” que permitem conhecer de forma mais aprofundada a tecnologia 5G e explorar de forma mais concreta a sua utilização futura.

Esta estratégia permitirá – acredita João Nascimento – captar mais parceiros tecnológicos em áreas de atuação distintas e, por conseguinte, “fomentar um ecossistema propício ao desenvolvimento da nova tecnologia”.

Questionado sobre se os atuais parceiros – ou futuros – serão utilizados no desenvolvimento dos projetos que a Vodafone lançará no mercado europeu, nesta corrida pelo 5G, o administrador esclareceu: “Ainda é cedo para antecipar esse cenário. A fase em que nos encontramos no que diz respeito ao desenvolvimento do 5G passa por testar a tecnologia em ambiente real, com o máximo de use cases e de utilizações possíveis. Acreditamos que este é o caminho que deve ser percorrido para, assim, contribuir para uma aplicação muito mais eficaz do 5G quando este for lançado comercialmente”.

Leilão do 5G no final do ano?
O último relatório do Observatório Europeu para o 5G espera que o leilão das frequências para atribuição do espectro em Portugal no 5G ocorra durante o último trimestre deste ano, mas João Nascimento contou que “até à data não existe qualquer informação concreta sobre a atribuição de espectro”.

“Encaramos como um sinal positivo a disponibilidade demonstrada pela Anacom em responder positivamente ao pedido de utilização temporária de espectro, na faixa dos 3,6GHz, para que a Vodafone conseguisse colocar no ar esta primeira antena 5G do país”, frisou o gestor, antes de acrescentar que até “ao final do ano” a operadora vai instalar mais antenas 5G em Lisboa e no Porto.

Caberá à Anacom a promoção do leilão de frequências para atribuição do espectro às operadoras. Mas antes, o regulador terá ainda de proceder à retirada da Televisão Digital Terrestre (TDT ) das frequências que vão ser utilizadas para o 5G. A nova geração de rede móvel, que vai trazer débitos mais rápidos no acesso à internet e que deverá servir de base à evolução da nova era da indústria, terá a faixa dos 700 MHz.

Artigo publicado na edição nº 1983 de 5 de abril do Jornal Económico

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