O VIX permite medir a volatilidade do S&P 500 tendo por base as opções do S&P 500, um dos índices bolsistas norte-americanos, que reúne as maiores empresas cotadas nos mercados financeiros dos Estados Unidos. Este indicador tem tido fortes oscilações desde o início do ano. Mas a tendência, para o futuro mais imediato, deve ser de normalização, como indicam os analistas de mercados financeiros consultados pelo Jornal Económico (JE).
As opções são um tipo de instrumento financeiro que permite ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender uma quantidade definida ou um valor, numa determinada moeda, de um ativo a um preço fixo numa data definida.
Desde o início do ano, o VIX teve um mínimo de 14,77 a 14 de fevereiro, mas disparou para os 27,86 a 10 de março. A sessão de 31 de março colocou o indicador nos 24,35, quando a 26 de março este se encontrava nos 17,41.
Política norte-americana no comércio tem gerado volatilidade
O analista da ActivTrades, Henrique Valente, salienta que a aplicação de medidas, por parte da administração de Trump, em áreas como o comércio e a política externa, “tem gerado volatilidade”.
Henrique Valente considera que, à medida que estas decisões se forem consolidando e se desfizer o choque inicial, é esperada uma “redução da volatilidade e, consequentemente, uma estabilização do VIX”.
Mas, alerta o analista da ActivTrades, a evolução dos conflitos geopolíticos “continua imprevisível, e qualquer nova informação poderá alterar” este cenário.
“Existe uma correlação inversa entre o VIX e o S&P 500: quando o mercado cai, como aconteceu este ano devido à incerteza das tarifas e à guerra na Ucrânia, o VIX sobe. Quando o mercado estabiliza ou sobe, o VIX volta a normalizar. Embora o primeiro trimestre tenha sido turbulento, o VIX manteve-se em níveis razoáveis, tendo atingido um máximo de 29,57”, explica Henrique Valente.
Apesar desta acalmia no VIX, Henrique Valente alerta que este indicador vai “continuar a reagir a eventos que gerem incerteza no mercado”. Num cenário de diminuição das tensões comerciais ou avanços na resolução de disputas internacionais, explica o analista da ActivTrades, é esperado que “o VIX se mantenha nos níveis atuais ou até diminua”, o que refletiria “uma menor percepção de risco”.
Incerteza marcou variações no VIX
O trader do Banco Best, Ângelo Custódio, sublinha que a subida em cerca de 40% do VIX desde o início do ano foi “à boleia de uma forte injeção de incerteza” nos mercados financeiros, um tipo de incerteza que, no entender de Ângelo Custódio, “os investidores normalmente dispensam”.
O trader acrescenta que desde janeiro, “[o presidente dos Estados Unidos] Donald Trump alterou a ordem mundial, enquanto os dados económicos fracos, incluindo a diminuição da confiança dos consumidores e a alteração das políticas tarifárias dos Estados Unidos, perturbaram Wall Street, levando a um aumento da volatilidade nas principais praças mundiais”.
A isto, continua a explicar Ângelo Custódio, juntou-se a “inflação persistente, as taxas de juro elevadas e os riscos geopolíticos”, fatores que ajudaram a “completar o quadro de nervosismo que se apoderou dos investidores, levando a uma forte volatilidade” em muitas das sessões da bolsa desde o início do ano.
“Olhando para a economia dos Estados Unidos, as preocupações com a recessão voltaram a surgir e empresas que recentemente apontavam para um ‘domínio do mundo’ agora enfrentam fortes variações nas suas cotações, levando os investidores estrangeiros e norte-americanos a repensarem os seus portfólios. Estes fatores aumentaram exponencialmente a volatilidade do mercado, com vários analistas a aconselharem os investidores a não tirarem já o ‘cinto de segurança'”, explica o trader do Banco Best.
Ângelo Custódio considera que a volatilidade que se está a sentir nas carteiras dos investidores “obriga a uma atenção redobrada”, mas lembra também que os investidores, referindo-se aos mais disciplinados, sabem que o “pânico não é uma estratégia neste ambiente de maior volatilidade” do mercado.
“Um portfólio bem diversificado em diferentes tipos de ações e obrigações, em setores e regiões-chave, pode ajudar a mitigar perdas durante momentos de maiores variações de mercado, especialmente em períodos de volatilidade, onde é sempre uma boa altura para refletir se os portfólios ainda estão alinhados com o momentum de mercado”, diz o trader do Banco Best.
Volatilidade deve voltar a níveis normais
O analista da XTB, Vítor Madeira, salienta que o VIX, por norma, “regista fortes subidas” em períodos de queda do mercado.
“Tendo isto em conta, é lógico concluir que a desvalorização do S&P 500 registada recentemente seja a principal razão pelo aumento superior a 50% do VIX”, clarifica o analista da XTB.
Vítor Madeira diz ainda que, nesta altura, o VIX “encontra-se em níveis considerados normais”, o que indica um “retorno da volatilidade do mercado a patamares estáveis”.
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