Von der Leyen aguarda “bons resultados” da presidência portuguesa da UE

Numa entrevista à agência Lusa na véspera da sua primeira visita oficial a Portugal desde que assumiu a presidência do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, antecipando a quarta presidência portuguesa da União, sublinha que esta “surge num momento crucial”, pois a pandemia, que provocou a maior crise na Europa desde a II Guerra Mundial, “ainda não acabou e a recuperação está ainda numa fase inicial”.

A presidente da Comissão Europeia acredita que o trabalho conjunto com a presidência portuguesa do Conselho da UE no primeiro semestre de 2021 produzirá “bons resultados”, pois sente Portugal do seu lado em várias matérias, como a “dimensão social”.

Numa entrevista à agência Lusa na véspera da sua primeira visita oficial a Portugal desde que assumiu a presidência do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, antecipando a quarta presidência portuguesa da União, sublinha que esta “surge num momento crucial”, pois a pandemia, que provocou a maior crise na Europa desde a II Guerra Mundial, “ainda não acabou e a recuperação está ainda numa fase inicial”.

No contexto da recuperação, destaca a presidente da Comissão, é fundamental ter em conta “a dimensão social”, matéria em que diz não ter dúvidas de ter Portugal do seu lado, “como aliás noutros temas”.

Segundo Von der Leyen, “desde a histórica cimeira europeia de julho”, na qual os líderes europeus chegaram a acordo sobre o Fundo de Recuperação da UE e o próximo quadro financeiro plurianual para 2021-2027 – num pacote com um montante global de 1,8 biliões de euros -, a União “está, de longe, melhor do que a maioria das outras regiões do mundo”.

“A Europa tem uma visão, temos o plano e também temos o investimento. O instrumento «NextGenerationEU» [o Fundo de Recuperação da UE] vai ajudar a modernizar a Europa, mas, ao fazê-lo, temos de continuar a proteger vidas e meios de subsistência. Acima de tudo, é uma economia humana que nos protege contra os grandes riscos da vida: a doença, o infortúnio, o desemprego ou a pobreza. Para mim, a dimensão social é um pilar indispensável da nossa União Europeia e sei que neste, como aliás noutros temas, Portugal está do meu lado”, sublinhou, na entrevista por escrito concedida à Lusa.

Um dos marcos importantes da presidência portuguesa da UE no primeiro semestre de 2021 será a celebração de uma Cimeira Social, em maio, no Porto, na qual deverá ser aprovado o Plano de Ação para o Pilar Europeu dos Direitos Sociais, proclamado na última cimeira social, em novembro de 2017, em Gotemburgo (Suécia).

Von der Leyen garante então aguardar “com expectativa o primeiro semestre de 2021”, até porque Portugal tem sido sempre “um parceiro fiável”.

“O povo português mostrou sempre o seu apoio à ideia europeia. Portugal é um interveniente fundamental na nossa equipa europeia: um parceiro fiável, um povo e representantes empenhados, de todo o espetro político. Será a quarta vez que Portugal assume a Presidência da União. Aguardo com expectativa o primeiro semestre de 2021. Juntos, conseguiremos bons resultados”, afirma.

Ursula von der Leyen estará a partir de segunda-feira em Lisboa, para uma visita de dois dias, durante a qual participará numa sessão, na terça-feira, na Fundação Champalimaud, com o primeiro-ministro, António Costa, na qual apresentarão respetivamente os planos de recuperação europeu e português.

Na véspera, na segunda-feira, António Costa recebe Ursula Von der Leyen em São Bento, tendo depois com a responsável política alemã um jantar de trabalho.

Nesse jantar de trabalho, em análise, de acordo com fonte do Governo, estarão os temas da atualidade na União Europeia, com particular destaque para o combate à covid-19, mas também a preparação da presidência portuguesa, que começa em 01 de janeiro do próximo ano.

Durante a sua presença em Portugal, Ursula von der Leyen, participa ainda na terça-feira, a convite do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na reunião do Conselho de Estado.

O Conselho de Estado debaterá a situação e o futuro da Europa e está marcado para o Palácio da Cidadela de Cascais, distrito de Lisboa.

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