Kevin Maxwell Warsh (nascido abril de 1970) é o nome escolhido pelo presidente Donald Trump para suceder a Jerome Powell como presidente da Reserva Federal – o que desde logo indica que só pode ser o homem certo para cumprir as ordens ‘oficiosas’ da Casa Branca à frente da instituição que funciona como banco central norte-americano. Aparentemente, tem todas as caraterísticas de que Trump precisa, uma vez que Warsh foi, durante e após a crise financeira de 2008, o principal elo de ligação do banco central com Wall Street. Dito de outra forma, o novo presidente da Fed tem uma relação especial com Wall Street, o mercado que Trump tudo tem feito para manter em alta desde que regressou à Casa Branca. Desse ponto de vista, Kevin Warsh é o homem certo no lugar certo.
O novo presidente da Fed foi também representante da organização no G20 – mas isso é um pormenor que para Trump é absolutamente despiciendo, dado que o grupo tem sido sistematicamente menosprezado pelo inquilino da Casa Branca, que trata os países membros como coisa menor a que não precisa de ligar qualquer importância. Mais interessante, ainda na ótica da administração Trump, é o facto Warsh ser ex-membro da direção do Grupo Bilderberg – um bloco que convém ter por perto e em boas relações.
A ascensão de Warsh como um dos homens da economia mais próximos de Trump evidencia-se pelo facto de ter sido um dos nomes apontados, no início do ano passado, como um potencial secretário de Estado do Tesouro. A sua nomeação para a Fed não surgiu, neste quadro, como uma surpresa para ninguém.
O novo homem forte do banco central – que tem como primeira função convencer toda a gente de que a descida dos juros é imperiosa para sustentar aquilo que Donald Trump diz ser o ‘boom’ da economia caseira, como que servindo de espaldar às tarifas – tem formação em Políticas Públicas pela Universidade Stanford (1992), Direito em Harvard (1995) e pós formação em Economia de mercado e mercados de capitais na MIT e na Harvard Business School. Melhor não era fácil.
Entre 1995 e 2002, Warsh trabalhou para o Morgan Stanley na cidade de Nova Iorque, chegando a diretor executivo no departamento de fusões e aquisições. Nos quatro anos seguintes foi assistente especial do presidente George W. Bush para a política económica e Secretário Executivo do Conselho Económico Nacional. A partir daí, tornou-se uma das figuras de maior destaque na área da economia entre os republicanos: era só uma questão de tempo até chegar a um cargo de topo. Foi ainda Bush quem nomeou Warsh para preencher uma vagas no Fed – o que acabou, na altura, por gerar algumas críticas: demasiado novo, demasiado inexperiente, Tinha 35 anos e passou a ser o mais novo membro da história da Fed.
Durante a crise de 2008, Warsh tentou articular fusões entre a Goldman Sachs e o Citigroup ou o Wachovia. Ambas as operações falharam, mas os afazeres de Warsh não ficaram por aí: pouco depois, convenceu a Morgan Stanley (onde trabalhara) a transformar-se numa holding bancária para ter acesso a empréstimos da Fed, salvando, na prática, o banco. Outros não tiveram tanta sorte: a predação do Lehman Brothers pelo resto do sistema em 2008 – onde a Morgan Stanley participou – continuará a ser para sempre uma das páginas mais curiosas da história do sistema financeiro mundial, a fazer lembrar a excelente obra literária ‘Do assassínio como uma das belas artes’, de Thomas de Quincey.
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