Wall Street em baixa com receio da inflação

As bolsas norte-americanas encerraram em baixa na sessão desta quinta-feira. Os dados económicos apontam para a possibilidade de um surto inflacionário.

Foi um dia mau para os mercados mobiliários norte-americanos, com os índices mais importantes a passarem o dia entre as subidas e as descidas, com os investidores a vislumbrarem a possibilidade de a inflação irromper no meio dos estímulos ao lançamento da economia. Por outro lado, a possibilidade de esses estímulos virem a desaparecer também não ajudou ao mercado.

O Dow Jones fechou a ceder 0,07%, para se fixar nos 34.577,04 pontos; o Standard & Poor’s 500 recuou 0,36%, para 4.192,85 pontos; e o tecnológico Nasdaq Composite desvalorizou 1,03%, encerrando nos 13.614,51 pontos.

Os dados do emprego – e do desemprego, principalmente, também marcaram a sessão desta quinta-feira, como vem sendo hábito. Em maio, o setor privado norte-americano criou 978 mil empregos, bem acima dos 650 mil novos postos de trabalho estimados pelos analistas. A queda no número de novos pedidos de subsídio de desemprego, que recuaram para 385 mil na semana passada é um dado positivo.

Mas, desta vez, os investidores decidiram que os dados da inflação eram mais importantes que os do desemprego – numa espécie de ping-pong que se dá todos os dias desde que o Presidente Joe Biden conseguiu convencer os Congresso a aceitar os estímulos – e o mercado acabou mesmo por fechar em baixa.

Na passada quarta-feira, a Fed anunciou que vai começar a reduzir o programa de compra de ativos corporativos que durante a pandemia ajudou a revitalizar a economia. A soma dessa eventualidade com a previsível subida dos juros acabou por ser o dado mais influente do dia para os mercados norte-americanos.

“Os dados robustos de empregos representam um desafio para a inflação, pois melhores empregos resultam em gastos mais elevados, o que contribuiria ainda mais para as tendências inflacionistas”, disse Sean O’hara, presidente da Pacer ETFs, citado pela agência Reuters.

Por outro lado, analistas do Bank of America alertaram que as notícias em torno da inflação são “muito negativas para ativos de risco” e afirmaram que o banco central está mais perto de normalizar a política monetária do que os mercados esperam. Talvez os mercados andem distraídos, ou então não acreditaram nos sinais que a Fed foi distribuindo nos meses mais recentes. Não é novidade para ninguém que o banco central dos Estados Unidos anunciou há muito que iria retomar o controlo da economia por via dos juros diretores – e que a tendência seria a da sua subida.

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