Wall Street fecha dia louco com ganhos expressivos à boleia da forte criação de emprego de fevereiro

Os índices norte-americanos viveram um dia de altos e baixos, com as quedas iniciais dos títulos bolsistas, que coincidiram com uma aceleração da taxa de juro dos títulos do Tesouro a 10 anos, a serem revertidas em ganhos expressivos depois de serem conhecidos os dados animadores sobre a criação de emprego.

Wall Street fechou a semana com os três índices no verde, impulsionados pelos fortes números de criação de emprego nos EUA conhecidos esta sexta-feira, que superaram largamente as expectativas dos analistas. Ainda assim, a sessão foi de grandes variações.

O Dow Jones subiu 1,85% até aos 31.497,94 pontos, apesar de ter estado a perder 150 pontos no início do dia, enquanto que o S&P 500 cresceu 1,93% para os 3,841.02 pontos após ter estado a cair 1%. Já o Nasdaq conseguiu afastar a má performance inicial e acabou a valorizar 1,55%, atingindo os 12.920,15 pontos.

A volatilidade do dia foi também refletida no mercado obrigacionista, com os títulos do Tesouro norte-americanos a baterem os 1,6% de juros a 10 anos durante o dia, dadas as preocupações do mercado com uma possível inflação acrescida com o aquecer da economia. Ainda assim, as ‘bonds’ de referência acabaram por se ficar pelos 1,56%.

Sectores procíclicos como a energia foram dos maiores vencedores da sessão de sexta-feira, que aliou o ímpeto que a maior economia do mundo parece voltar a demonstrar com a criação de 379 mil postos de trabalho em fevereiro ao empurrão que havia recebido já no dia anterior, com a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) de não recuar nos cortes de produção. Esta estratégia levou já à revisão em alta pela Goldman Sachs do preço esperado do ouro negro para 2021.

O barril de brent, a referência para o mercado europeu, vai valendo 69,59 (58,40 euros) dólares, uma subida de 4,27%, enquanto que o de crude WTI negoceia 3,85% em alta, colocando-o a 66,29 dólares (55,63 euros).

Já os grandes vencedores do ‘rally‘ em que se tem visto o mercado norte-americano, o sector tecnológico, conseguiu distanciar-se dos mínimos que chegaram a tocar, depois de preocupações com um possível aumento das taxas de juro terem criado dúvidas sobre a capacidade de alavancagem de empresas inovadoras como a Tesla, que acabou mesmo a sessão a perder 3,87%, valendo agora 597,36 dólares (501,26 euros).

Outros vencedores da pandemia, mas focados sobretudo no aumento da dependência do teletrabalho, também foram penalizados pelos indicadores que apontam para um eventual regresso à normalidade. O Zoom, por exemplo, desvalorizou 14% esta semana.

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