Este bem que podia ser um guião para um filme de Hollywood. A Warner Bros Discovery tem gerado uma luta intensa entre Paramount Skydance, liderada por David Ellison que é filho do co-fundador da Oracle, Larry Ellison, e a Netflix, de Ted Sarandos, para ver quem a compra. A Warner Bros tinha fechado o negócio com a empresa de streaming mas uma oferta hostil da Paramount deixou o desfecho da história em suspenso.
O novo capítulo desta saga ‘hollywoodesca’ coloca a Warner Bros Discovery a exigir que a Paramount Skydance aumente o valor da sua oferta dos atuais 30 dólares por ação para um valor que se poderia situar entre os 33 dólares e os 34 dólares, avançou na quinta-feira o New York Post. Caso isso aconteça a Warner Bros estaria disponível para negociar uma possível venda à Paramount, diz o jornal nova-iorquino.
Contudo, as coisas não parecem ser assim tão simples. Isto porque de acordo com o New York Post, a Paramount Skydance, e a RedBird Capital, que está a auxiliar a empresa de media neste negócio, ponderam avançar com a solução “DefCon 1”, uma expressão que estará a ser utilizada na empresa internamente, diz o mesmo jornal, um termo que representa o nível de segurança aplicado quando uma guerra nuclear está prestes a acontecer.
E esse “DefCon 1” iria traduzir-se num processo judicial da Paramount Skydance contra a Warner Bros Discovery acusando esta última de favorecer a Netflix neste negócio pelo vínculo pessoal que existe entre o presidente da Warner Bros Discovery, David Zaslav, e o CEO da Netflix, Ted Sarandos.
A 5 de dezembro foi anunciado um acordo entre a Netflix, e a Warner Bros Discovery em que ficava definido que o serviço de streaming adquiriria a Warner Bros., incluindo os seus estúdios de cinema e televisão, a HBO Max e a HBO.
“A transação, que envolve dinheiro e ações, está avaliada em 27,75 dólares (23,68 euros) por ação da Warner Bros Discovery (sujeita a um mecanismo de proteção), com um valor total da empresa de aproximadamente 82,7 mil milhões de dólares, ou 70,5 mil milhões de euros (valor patrimonial de 72 mil milhões de dólares, ou 61,4 mil milhões de euros). A conclusão da transação está prevista para depois da separação, previamente anunciada, da divisão Global Networks da Warner Bros Discovery, a Discovery Global, numa nova empresa de capital aberto, que deverá agora estar concluída no terceiro trimestre de 2026”, referiu a Netflix.
A 8 de dezembro a Paramount anunciou que avançava com uma oferta pública de aquisição em dinheiro para adquirir a totalidade das ações em circulação da Warner Bros Discovery por 30 dólares (25,60 euros) por ação, o que totalizaria 108,4 mil milhões de dólares, ou 92,4 mil milhões de euros. Esta oferta incluía a totalidade da Warner Bros Discovery, ao contrário do acordo que foi fechado com a Netflix.
“A transação proposta não estará sujeita a quaisquer condições de financiamento e será financiada por novo capital próprio, garantido pelos principais acionistas da Paramount, que possuem um capital robusto, e por 54 mil milhões de dólares (46 mil milhões de euros) em compromissos de dívida do Bank of America, Citi e Apollo. A Centerview Partners LLC e a RedBird Advisors atuam como principais consultoras financeiras da Paramount, e o Bank of America Securities, o Citi e a M. Klein & Company também atuam como consultores financeiros. Os escritórios de advogados Cravath, Swaine & Moore LLP e Latham & Watkins LLP atuam como assessores jurídicos da Paramount” esclareceu a Paramount Skydance sobre a oferta feita para a aquisição da Warner Bros Discovery.
Contudo a oferta não convenceu a Warner Bros Discovery. A 17 de dezembro a empresa anunciou que o seu Conselho de Administração determinou, por unanimidade, que a oferta lançada pela Paramount Skydance “não servia os melhores interesses” da Warner Bros Discovery e dos seus acionistas e também que “não cumpria os critérios” para que seja uma oferta superior aos termos do acordo que foi estabelecido com a Netflix.
“O Conselho de Administração da Warner Bros Discovery reitera, por unanimidade, a sua recomendação de apoio à combinação com a Netflix e recomenda que os acionistas da Warner Bros Discovery rejeitem a oferta da Paramount Skydance”, dizia a Warner Bros Discovery.
O presidente do Conselho de Administração da Warner Bros Discovery, Samuel A. Di Piazza Jr, defendeu que o valor da oferta [feito pela Paramount Skydance] era “inadequado, com riscos e custos significativos” que são impostos aos acionistas da Warner Bros Discovery.
“Esta oferta, mais uma vez, falha em abordar as principais preocupações que temos comunicado consistentemente à Paramount Skydance ao longo do nosso extenso diálogo e análise das suas seis propostas anteriores. Estamos confiantes de que a nossa fusão com a Netflix representa um valor superior e mais seguro para os nossos acionistas e estamos ansiosos por concretizar os benefícios convincentes desta combinação”, acrescentou Samuel A. Di Piazza Jr.
De modo a melhorar a oferta foi noticiado a 22 de dezembro que o co-fundador da Oracle, Larry Ellison, iria avançar com uma garantia pessoal de 40,4 mil milhões de dólares (34,3 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) para financiar a oferta de aquisição que a Paramount Skyance, liderada pelo seu filho David Ellison, efetuou pela Warner Bros Discovery, de acordo com documentos regulatórios, reportou a agência noticiosa Reuters.
O New York Post salienta esta quinta-feira, citando uma fonte próxima do processo, que esta garantia pessoal de Larry Ellison “é um grande começo” contudo a Warner Bros está a sinalizar “que caso [a Paramount queira a Warner Bros Discovery] terá de pagar mais”.
De acordo com o jornal nova-iorquino, face ao atual ponto de situação deste negócio, estarão em cima da mesa os seguintes cenários: Um deles é de que os Ellison e a RedBird aumentem a sua oferta até 10%. Outro cenário é que a Paramount Skydance abandone o negócio deixando que o acordo entre a Warner Bros e a Netflix avance, ficando pendente de uma aprovação regulatória e também de eventuais litígios que possam ser levantados por acionistas durante o processo. E a outra solução passará pela “DefCon 1”, que se traduziria num processo judicial da Paramount Skydance, contra a Warner Bros Discovery, alegando que a Warner Bros Discovery favoreceu uma proposta inferior da Netflix.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com