Zero considera que apenas um em nove projetos de centrais solares é exemplo a seguir

Embora considere “positiva para o país” a intenção do investimento no solar fotovoltaico, para que Portugal alcance “a neutralidade climática em 2050”, a Zero alertou ser fundamental prevenir “impactes e conflitos”, como afirma ter acontecido com a expansão da energia eólica “em zonas sensíveis”.

Das nove grandes centrais solares em consulta pública no primeiro trimestre do ano, a maioria está prevista para áreas florestais e apenas uma é “um exemplo a seguir”, considerou hoje a associação Zero, em comunicado.

Se não existirem “maiores cuidados e planeamento”, o resultado “poderá ser desastroso”, frisou a organização ambientalista.

A Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável referiu que três dos projetos apresentados merecem reprovação, “pela sua dimensão e pelo tipo de área afetada ou extensão das linhas de muito alta tensão”, e em cinco há “aspetos que era importante serem fortemente acautelados”.

“A Zero olha com muita apreensão para esta nova corrida à instalação de parques solares fotovoltaicos, alguns de grande dimensão, em que a seleção dos locais recai em grande parte sobre áreas florestais, desde logo porque, com a destruição das florestas, os benefícios ambientais que decorrem da instalação podem não ser superiores aos da manutenção da área florestal”, acentuou a organização ambientalista, na mesma nota.

Segundo a associação, dos nove projetos, apenas um tem a intenção de instalar a central numa “área concessionada para exploração de recursos geológicos” e alguns exigem áreas contínuas que “chegam a ultrapassar os mil hectares”.

Embora considere “positiva para o país” a intenção do investimento no solar fotovoltaico, para que Portugal alcance “a neutralidade climática em 2050”, a Zero alertou ser fundamental prevenir “impactes e conflitos”, como afirma ter acontecido com a expansão da energia eólica “em zonas sensíveis”.

“Esta artificialização, como que ´alcatifando` o território, resulta numa enorme alteração da paisagem e artificialização de áreas rurais, com inevitáveis impactes negativos para o ambiente e para as populações que aí residem”, reforçou a associação ambientalista, que chamou ainda a atenção para a possibilidade de perdas para o potencial turístico e para a valorização do património natural das regiões.

A Zero enfatizou estarem em causa, entre áreas com montado e sobreiros dispersos, outras folhosas, pinheiro-bravo e pinheiro-manso e eucaliptos, “mais de 2.200 hectares de área florestal que serão afetadas com a instalação de centrais fotovoltaicas”, o que corresponde a “63% da área a intervencionar”.

De acordo com a associação de defesa do ambiente, esta área, equivalente a uma potência de 2,4 gigawatt (GW), é “um alerta”, tendo em conta o objetivo de atingir mais de 9 GW de potência solar até 2030.

A associação refere, no mesmo comunicado, que considerando as necessidades extraordinárias relacionadas com a produção de hidrogénio verde, “o valor poderá chegar perto ou superar os 10 mil hectares, uma área equivalente ao concelho de Lisboa”.

Se a opção recair na concentração dos projetos em determinadas regiões e em áreas sensíveis, “o resultado final pode ser desastroso”, avisou.

A organização de defesa do ambiente defendeu a realização de “estudos urgentes sobre o impacte das centrais na fauna, em particular sobre a avifauna”, por a instalação de linhas elétricas resultar em mortalidade, “decorrente de colisão com os condutores aéreos”, e preconizou “medidas de mitigação, que podem incluir linhas enterradas em algumas áreas mais sensíveis”.

Na mesma nota a Zero sublinhou ser “imperativo melhorar o acesso à informação sobre os projetos em consulta por parte dos residentes nas imediações das áreas onde se pretendem instalar centrais fotovoltaicas”, tendo em conta as “inúmeras queixas que chegam” à associação nesse sentido.

As nove centrais solares fotovoltaicas estão previstas para os concelhos de Viseu (Central Solar Fotovoltaica [CSF] Lupina), Vila Nova de Paiva (CSF Adomingueiros e Nave), Alenquer e Azambuja (CSF Cerca), Alenquer (CSF Carregado), Azambuja (CSF Rio Maior e Torre Bela), Niza (CSF Falagueira), Albufeira (CSF Montechoro I e II), Santiago do Cacém (CSF THSiS) e Moimenta da Beira e Armamar (CSF Douro Solar).

Ler mais
Recomendadas

Consumidores entregaram mais de 15 milhões de garrafas e receberam mais de 660 mil euros

A tutela indica que “esta quantidade de embalagens corresponde a cerca de 416 toneladas de plástico PET, encaminhado para a reciclagem”. O projeto-piloto, que teve início a 13 de março de 2020, recolheu uma média de 38 mil embalagens por dia.

Estudo pretende reabilitar reputação das vespas, demonstrando que são essenciais aos ecossistemas e à saúde

Segundo os resultados da investigação, que envolveu também a universidade britânica de East Anglia, as vespas, predadores do mundo dos insetos, podem ser usadas como um meio sustentável de controlo de pragas em países em desenvolvimento, especialmente nos tropicais, onde os agricultores podem recorrer uma espécie local com risco mínimo para o ambiente.

Associação ambientalista Zero alerta para falta de mapas e planos de redução de ruído

Em relação a Portugal, e segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que a associação cita, 20% da população do continente está exposta a níveis sonoros que induzem perturbações no sono e 15% está exposta a níveis associados a incomodidade moderada.
Comentários