Rui Rio diz que gastos com presidência portuguesa “envergonham” e “retiram credibilidade”

Líder social-democrata reagiu a uma notícia do “Politico” sobre o gasto de mais de oito milhões de euros, incluindo contratos celebrados com empresas recém-criadas e 35 mil euros em vinho. E recordou as declarações polémicas do antigo presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem acerca dos países da Europa do Sul.

O presidente do PSD, Rui Rio, comentou uma notícia do site Politico sobre os contratos públicos celebrados no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, ascendendo a oito milhões de euros apesar de estar a decorrer sobretudo em formato virtual, escrevendo no Twitter que, confirmando-se o que foi descrito, isso “envergonha-nos a todos e retira-nos respeitabilidade”.

Ainda segundo o líder social-democrata, o Executivo de António Costa está “a dar uma triste oportunidade para o holandês Jeroen Dijsselbloem esboçar um sorriso sarcástico”. Em 2017, o então presidente do Eurogrupo, na qualidade de ministro das Finanças da Holanda, enfrentou muitas críticas de Portugal por ter acusado, numa entrevista ao “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, os países da Europa do Sul de gastarem “em bebidas e em mulheres e depois pedirem ajuda” para combater a crise das dívidas soberanas.

Segundo o “Politico”, no seguimento de outras notícias sobre os gastos da Estrutura de Missão para a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia publicadas, entre outros títulos, pelo Jornal Económico, os contratos públicos celebrados nos últimos meses incluem 35 mil euros gastos em vinho, um centro de imprensa que custou 260 mil euros e que “tem estado vazio” e a celebração de acordos com empresas criadas há menos de um mês.

Devido à pandemia de Covid-19 e às restrições às viagens, a esmagadora maioria das iniciativas da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, que decorre durante o primeiro semestre de 2021, tem decorrido por videoconferência e não de forma presencial. Daí que o “Politico” se lhe refira como uma “presidência-fantasma”.

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