Faz hoje precisamente 150 anos que a Rússia tomou uma das decisões que, sem o saber, moldou parte da vida do século XX e não só: vendeu o Alasca aos Estados Unidos. Na altura, o território obigou à transferência de 7,2 milhões de dólares para os cofres russos – tradicionalmente deficitários já naquela altura.
O território foi considerado sem grande préstimo para um país que já era imenso, era basicamente um deserto de gelo e não representava qualquer ganho estratégico ou geo-político quando o que estava em cima da mesa dos czares era a sua vontade de afirmar a Rússia como um país europeu.
William Henry Seward (1801–1872) foi o político norte-americano que convenceu os Estados Unidos a comprar o Alasca. Steward foi governador de Nova Iorque, Senador e Secretário de Estado durante as administrações de Abraham Lincoln e Andrew Johnson. Era um firme opositor da escravatura e chegou a ser sondado para concorrer à presidência. Facto curioso, na noite do assassinato de Lincoln, Seward sobreviveu a um atentado contra a sua própria vida. Foi enquanto Secretário de Estado de Johnson que convenceu o presidente a comprar o Alasca.
Inevitavelmente, o longo período da guerra fria teria sido bem mais gelada ainda se, no auge do poder militar da União Soviética, a cúpula do PCUS pudesse contar com uma franja de território a uns poucos milhares de quilómetros da fronteira com os Estados Unidos. É que, se o Alasca fosse soviético, nenhum presidente norte-americano teria tido, a não ser pela força das armas, a capacidade de impedir os russos de ali instalarem o material bélico que lhes apetecesse. E isso quereria dizer que a defesa do território norte-americano e da sua população seria bem mais difícil.
Na altura, em 1867, a compra foi considerada pelos norte-americanos um perfeito absurdo; mas, do lado russo, o negócio fazia sentido: à época, o Canadá era um território inglês e o poder russo, já nas mãos do Romanov por via de Alexandre II, achou que, mais tarde ou mais cedo, o império britânico acabaria por invadir o Alasca para dele tomar posse. Já que era para perder, a venda fez todo o sentido.
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