O homem mais rico da África é uma autêntica celebridade no continente onde nasceu. Presença frequente em programas de televisão e nas páginas de jornais e revistas, Dangote é uma estrela das palestras em escolas e universidades, onde tem oportunidade de falar sobre o futuro para o seu público preferido: os jovens.
Dangote é conhecido como o Bill Gates africano. Com uma fortuna estimada em 14,1 mil milhões de dólares disse, em 2007, estar “mais rico do que Oprah Winfrey”, a célebre animadora do talk-show norte americano. “Não diria eu próprio que sou o homem mais rico de África. Deixaria isso à revista Forbes para o fazer”, declarou o magnata numa entrevista ao diário nigeriano Daily Sun.
Originário do norte da Nigéria, Dangote está presente em quase todos os setores da economia nigeriana, nomeadamente o petróleo, o cimento, a farinha, o açúcar, o arroz, os transportes e os seguros. Este conglomerado foi fundado graças a um empréstimo recebido de um tio no final da década de setenta. O seu bisavô materno, um comerciante, também era considerado um dos homens mais ricos de África quando morreu, em 1955.
Apesar de ter nascido numa família abastada, deu início à sua trajetória empresarial de forma modesta. Aos 24 anos, abriu uma pequena empresa de trading de açúcar e produtos alimentares. Hoje em dia, várias empresas que fundou estão listadas na Bolsa de Valores da Nigéria e em setores sensíveis à ascensão dos consumidores africanos.
A Dangote Cement representa cerca um terço do total de ativos negociados na bolsa nigeriana. O grupo está a terminar novas fábricas na Zâmbia, Tanzânia, Congo e Etiópia, além de terminais para escoamento da produção na Serra Leoa, na Costa do Marfim e na Libéria.
“Todos os meus investimentos estão em África. Sou africano e acredito — muito — no meu continente. Tenho a certeza de que este é o melhor lugar do mundo para ganhar dinheiro”, disse. No entanto, em entrevista à Bloomberg, já assumiu a vontade de apostar na Europa e nos Estados Unidos nos próximos anos.
O milionário planeia investir entre 20 a 50 mil milhões de dólares nestes dois continentes (cerca de 17 e 43 mil milhões de euros). Pretende ainda apostar na energia renovável e em produtos petroquímicos até 2025. Mundialmente conhecido como fundador do Dangote Group, Aliko quer começar a investir nestas zonas em 2020, assim que terminar os projetos no setor agrícola que tem em mãos na Nigéria, avaliados em 5 mil milhões de dólares (aproximadamente 4,2 mil milhões de euros).
Em entrevista à Bloomberg, em 2017, o dono da maior fortuna do continente africano explicou que, “a partir de 2020, 60% dos nossos futuros investimentos concentrar-se-ão fora de África, para que possamos ter um equilíbrio”.
“Acho que as renováveis são o caminho a seguir, e o futuro. Estamos a olhar para a petroquímica, mas também podemos investir noutras empresas”, acrescentou, em declarações à mesma agência.
O sonho do Arsenal
Apaixonado por futebol e fã do Arsenal de Londres, Dangote ambiciona comprar o clube inglês — depois de em 2010 ter visto uma proposta ter sido recusada pelos donos do clube de Londres. O negócio poderá avançar assim que concretizar a construção de uma refinaria de petróleo no valor de 11 mil milhões de euros, em Lagos. Os principais acionistas do Arsenal são o multimilionário americano, Stan Kroenke, que controla 67% da sociedade, e também o russo Alisher Usmanov, que detém 30% dos “gunners” e que já tentou comprar a fatia detida por Kroenke numa oferta que avaliou a equipa londrina em 2,6 mil milhões de dólares.
No entanto, Dangote mostra-se confiante de que conseguiria convencer os dois multimilionários a vender as respetivas participações. “Se fizer a oferta certa, estou certo de que eles aceitariam”, disse o nigeriano.
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