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Apagão: Leitão Amaro defende estratégia de comunicação do Governo e acusa PS de oportunismo

Depois de várias críticas da oposição em relação à estratégia comunicacional do Governo durante este evento, nomeadamente do PS, Leitão Amaro argumentou que “aqueles que se focam a discutir dificuldades na comunicação pública é porque reconhecem que o essencial funcionou”.
Cristina Bernardo
30 Abril 2025, 17h00

O ministro da Presidência defendeu hoje a estratégia de comunicação do Governo durante o apagão que atingiu Portugal e Espanha, após críticas da oposição, e acusou o PS de oportunismo “sobre uma desgraça que não aconteceu”.

“Quando muitos se prendem nas críticas à comunicação, no país aqui ao lado, Portugal é destacado como um exemplo na eficácia da gestão da crise e na comunicação”, defendeu António Leitão Amaro, que falava na comissão permanente do parlamento num debate de urgência agendado pelo PCP sobre o apagão elétrico de segunda-feira.

Depois de várias críticas da oposição em relação à estratégia comunicacional do Governo durante este evento, nomeadamente do PS, Leitão Amaro argumentou que “aqueles que se focam a discutir dificuldades na comunicação pública é porque reconhecem que o essencial funcionou”.

Momentos mais tarde, dirigindo-se diretamente ao PS, o ministro lamentou que os socialistas “em vez de saudarem” o facto de não terem existido vítimas, tentem ser “oportunistas sobre uma desgraça que não aconteceu”.

O ministro salientou que o executivo tentou comunicar com a população através de “todos os canais, das televisões às redes sociais, do SMS à rádio”.

“Privilegiámos a rádio, porque nestas situações sabemos ser o meio mais resiliente. A interrupção da eletricidade deu-se às 11:33. Eu próprio, em nome do Governo, menos de uma hora depois, estava a comunicar através das rádios e televisões ao país. O primeiro-ministro falou três vezes nesse dia, a primeira das quais às 15:05. Ministérios, autoridades, fornecedores de energia foram emitindo informações e avisos às populações durante o dia pelos meios que tinham disponíveis”, elencou.

De acordo com Leitão Amaro, o executivo procurou garantir “que se comunicava o que era necessário, sem nunca entrar em oportunistas exercícios de propaganda política”.

O governante realçou que toda a crise exigia “uma liderança serena e competente” e “assim agiu o Governo”, que declarou situação de crise energética, ativou os mecanismos de coordenação de contingência em crise previstos na lei e garantiu o abastecimento prioritário aos serviços essenciais, aos hospitais, forças de segurança, transportes e à Proteção Civil.

Na abertura do debate, Leitão Amaro afirmou que o apagão elétrico do passado dia 28 “foi grave, inédito e inesperado” e um “momento definidor”, deixando a pergunta: “E se corresse mal?”.

O Governo, de acordo com o ministro, deu “prioridade absoluta à continuidade dos serviços de saúde mais críticos”, preparou “a noite com as forças de segurança para que o caos não se instalasse” e geriu “incontáveis emergências” e o resultado foi “zero vítimas”.

Leitão Amaro realçou que Portugal recuperou a eletricidade “mais rápido” do que Espanha, sem a ajuda externa de que aquele país beneficiou, e apontou que até “antigos governantes do PS” realçaram que o executivo foi “bem-sucedido”.

O ministro reconheceu, contudo, que “todos têm que aprender com esta emergência” e por isso o Governo avançou com a criação de uma comissão técnica e independente e pediu uma auditoria independente à União Europeia.

Numa primeira ronda de pedidos de esclarecimento, o deputado do PS Pedro Vaz deixou um conjunto de perguntas específicas ao Governo, que acabaram por não ser respondidas. O socialista queixou-se e Leitão Amaro pediu que todos os partidos enviassem as suas perguntas por escrito.

Pelo BE, Mariana Mortágua insistiu que Portugal tem “um problema de segurança pelo facto de a rede elétrica nacional ser hoje propriedade de um Estado estrangeiro” e pelo PCP, Paula Santos argumentou que o apagão “deixou mais visível os interesses que estão na base da gestão do sistema elétrico português” que “não são os interesses nacionais”.

O deputado do Livre Paulo Muacho insistiu no envio de um questionário para averiguar as consequências do apagão em instituições públicas, e a líder do PAN, Inês Sousa Real, pediu uma reflexão sobre a “soberania energética”, defendendo o recurso a energias renováveis.

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