Sofia Santos, Sustainability Champion in Chief na Systemic, alertou esta terça-feira na Seguros Summit 2025, evento promovido pelo Jornal Económico (JE), para a importância de as empresas perceberem quais são os seus riscos climáticos e, mediante esses riscos localizados, criar um plano de adaptação.
Apesar de o impacto das questões relacionadas com o clima, como cheias, ondas de calor, incêndios serem amplamente conhecidos, o que é certo é que “rapidamente assumimos que [esses eventos] estão demasiados longínquos” no tempo e até na geografia e não “tomamos as ações”.
Ou seja, reconhecidamente, “existe um enviesamento cognitivo em relação às questões do clima”. Por duas razões, Por um lado, porque tendemos a “confiar fortemente na primeira informação recebida (‘sempre fizemos assim, e as questões climáticas não são tão relevantes'”. Por outro, porque há uma “tendência a superestimar a probabilidade de impactos positivos (‘os impactos climáticos estão longe de nós e não nos afetarão'”.
Estas duas dimensões conduzem à não tomada de decisão, que são prejudiciais. E por isso, avisou a especialista da Systemic: “É importante os gestores terem noção que o seu cérebro está enviesado para as questões do clima por defeito.” Mas a “dada altura, as empresas vão querer ter seguros sobre isto”.
No decorrer da sua intervenção, Sofia Santos mencionou as implicações que o aumento de 2ºC de temperatura no setor financeiro, na economia e no Estado. A especialista alertou para as mudanças em curso, quer seja por causa de ondas de calor, com as cidades a poderem ter um aumento de 200% do número de dias com mais 35ºC. Em algumas regiões, as ondas de calor extremas podem passar de uma vez em 100 anos para uma vez em cada quatro anos.
A mudança do clima trará desafios agrícolas, com redução do rendimento das colheitas, e ao agravamento da insegurança alimentar; a escassez de água conduz já ao aumento do stress hídrico, a secas mais severas e inundações e a menor disponibilidade de água para consumo e irrigação.
Ao mesmo tempo, a mudança do clima leva à perda de biodiversidade, com riscos significativos para a estabilidade económica e riscos de segurança alimentar. E, não menos importante, riscos para a saúde, com maior incidência de doenças relacionadas com o calor, doenças transmitidas por vetores (como a malária) e problemas respiratórios devido à má qualidade do ar”.
Ora, estes efeitos têm naturalmente impactos económicos, como perdas de rentabilidade, danos em infraestruturas, diminuição das receitas no turismo, aumento dos custos com doenças, entre outros. No setor financeiro, o risco de eventos climáticos, o risco de crédito também, e outros, e no caso do Estado, as alterações climáticas têm como consequência o aumento da despesa pública, lembrou Sofia Santos.
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