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CFP alerta para possível contágio de França e risco de despedimentos

O contexto que a economia portuguesa tem vivido “é benigno”, mas o Conselho das Finanças Públicas chama a atenção para a situação francesa e para as perturbações nas cadeias de abastecimento.
7 Novembro 2025, 18h00

As contas públicas portuguesas vêm de dois excedentes consecutivos e o Governo espera que continuem em terreno positivo este ano e no próximo, mas o Conselho das Finanças Públicas (CFP) não está convencido e pede ao executivo de Luís Montenegro que mantenha a contenção orçamental. É que, além das dúvidas que reitera sobre o Orçamento do Estado para 2026, Nazaré da Costa Cabral, presidente do CFP, alerta para os riscos que estão à espreita, nomeadamente em França.

“É preciso ter muito cuidado com as nossas contas públicas e ter muito cuidado com a nossa dívida pública, que é ainda muito elevada, em percentagem do PIB”, afirmou a líder do CFP durante a audição parlamentar no âmbito da apreciação do Orçamento do Estado para 2026 (OE2026).

Considerando que Portugal “não é um país forte — não é tão forte como França, apesar de tudo”, Nazaré Costa Cabral sublinha que “França está numa situação de grande dificuldade financeira, porque tem uma dívida pública enorme, que não para de crescer, não tem capacidade de controlo das suas contas públicas, do seu défice orçamental”. E, por isso, alerta que “a perceção de risco da República Francesa pode, de alguma maneira, vir a ter contágio numa economia como a portuguesa, que está muito dependente também da francesa”.

“Nós não podemos estar descansados nem relaxados em relação à nossa situação orçamental e à nossa situação financeira”, conclui Nazaré Costa Cabral, que concorda com reduções da carga fiscal, mas pede cautela. “Enquanto não tivermos um controlo efetivo do comportamento da despesa corrente primária do Estado, pode ser imprudente, neste contexto complexo, até do ponto de vista financeiro, fazer reduções estruturais de receita pública”, respondeu a economista quando questionada sobre a descida do IRC.

Lay-offs e despedimentos
Apesar de Nazaré da Costa Cabral entender que “a economia portuguesa tem tido um desempenho favorável nos últimos anos”, este contexto “muito benigno” pode ser ensombrado por alguns riscos internacionais “que se têm vindo a acentuar” e aos quais “convém estar atentos”.

Além da situação francesa, a líder do CFP destaca “a alteração da política comercial e as dificuldades de reconfiguração das cadeias de abastecimento”, nomeadamente o “fornecimento de chips, matérias-primas e outros componentes que vêm, em grande medida, da China para as empresas europeias e que podem afetar a breve trecho a atividade económica das empresas”. Nazaré da Costa Cabral alerta para os “riscos de impactos sociais” que estes problemas podem gerar, “sejam lay-offs ou até despedimentos coletivos”.

Por outro lado, salienta “o impacto que já se começa a fazer sentir da inteligência artificial e da robotização das empresas”. Uma vez que “há empresas que já estão a antecipar esses efeitos”, a líder do CFP constata que há “um aumento dos despedimentos em certos setores”.
Nazaré da Costa Cabral alerta ainda que a economia portuguesa está “muito exposta ao setor do turismo”.

Nesta audição parlamentar, a presidente do CFP reiterou também as dúvidas que tinha manifestado quando esta entidade fez o parecer ao OE2026, nomeadamente sobre despesa subestimada e a receita alavancada por dividendos e venda de imóveis.

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