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Donald Trump: “Só os EUA podem defender a Gronelândia”

O presidente dos EUA não dececionou: falou sobre a Gronelândia, afirmando que a quer: “Nunca pedi nada antes”, mas “este pedaço de gelo” é essencial para “a defesa dos Estados Unidos, da Europa e do mundo ocidental”. E deixou um recado: “se não acederem, hei de lembrar-me disso”.
21 Janeiro 2026, 14h52

Tal como se esperava, o presidente dos Estados Unidos defendeu, em Davos, que “só os Estados Unidos podem defender a Gronelândia”, dos desafios de defesa que se colocam à ilha, e que é por isso que o seu executivo tem insistido em tomar aquele espaço. E continuará a fazê-lo como tem feito desde que regressou à Casa Branca – apesar de ter iniciado o processo ainda em 2016.

Trump preocupou-se também em afirmar que as suas intenções para com a Gronelândia em nada colocam em causa a NATO – para o presidente dos Estados Unidos, a NATO continuará a ser uma garantia adicional de que a ilha será defendida em toda a extensão de que necessita.

Após uma longa crítica à Dinamarca, que alegou ser fraca para proteger a Gronelândia, Trump declarou a sua posição fundamental sobre o território. “Precisamos dela para a segurança estratégica nacional e internacional. Esta enorme ilha desprotegida faz parte da América do Norte. É o nosso território”, disse. “Estou a procurar negociações imediatas para discutir novamente a aquisição da Gronelândia pelos Estados Unidos”. “Precisamos de deter a Gronelândia para a defender. Quem é que vai defender uma terra se não a possuir?”, perguntou. Ou seja, o presidente dos Estados Unidos insiste em comprar a ilha.

Cumprimentando Mark Rutte, o secretário-geral da NATO em pleno discurso, Donald Trump congratulou-se com o facto de ter obrigado os Estados-membros a pagar 5% do PIB para a aliança. Um investimento que compromete os restantes parceiros com o novo exército dos Estados Unidos, que Trump diz ser mais poderosa como nunca foi antes. “Vencemos a Alemanha, o Japão, os italianos na II Guerra”, mas agora ”somos ainda mais poderosos”.

Falando da chamada ‘cúpula dourada’ – um sistema de defesa semelhante àquele que protege Israel dos ataques de mísseis – Trump disse que será um dos sistemas que estarão em funcionamento nesta nova fase global em que a defesa volta a ser essencial para o hemisfério ocidental.

Donald Trump também versou a questão da Ucrânia – país onde morreram milhares de soldados nos últimos meses. “Que parar isso”, afirmou, para insistir que os dois lados querem chegar a um acordo. “Estou a ajudar a Europa, a ajudar a NATO”. “Estou em negociações com o presidente Putin e acredito que ele queira fechar um acordo. Estou em negociações com o presidente Zelensky e acho que ele também quer fechar um acordo. Vou-me encontrar com ele”, disse.

“O que eu espero de vocês é um bocado de gelo. Comparado com o que faremos, é um pequeno pedido”, disse ainda – para explicar que é fundamental para encontrar uma saída de paz para a Europa. “Nunca pedimos nada e nunca recebemos nada”, disse Trump sobre a NATO. “Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não farei isso”, disse. “Essa foi provavelmente a declaração mais importante que fiz, porque as pessoas achavam que eu usaria a força. Eu não preciso de usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não vou usar a força”. “Podíamos ter capturado aquele pedaço de gelo, mas não o fizemos. Estou a pedir isso e se disserem ‘não’, vou lembrar-me disso”, ameaçou. “Isso aumentará muito a segurança de toda a aliança, a aliança da NATO. Os Estados Unidos são tratados de forma muito injusta pela OTAN”, disse.

Trump falou em particular do presidente de França, “Emmanuel Macron e os seus bonitos óculos – o que raio é que se passou? – de quem gosto e a quem disse que tomou vantagem sobre os Estados Unidos” na área farmacêutica. O presidente dos Estados Unidos prometeu que o preço dos medicamentos descerá como numa antes, o que será um benefício “para milhões e milhões de pessoas”. A parte final da sua intervenção teve mais a ver com questões internas à sociedade norte-americana – durante a qual teve oportunidade de falar dos problemas que o país enfrenta na área da habitação e das decisões que tomou para os suprimir. Mas também de recordar que o seu antecessor fez tudo ao contrário do que devia. Teve também oportunidade de dirigir-se a Jerome ‘Too Late’ Powell, o governador da Reserva Federal, com quem mantém um contencioso inultrapassável e que quer ver em tribunal.

Trump falou ainda do caso da Suíça, país onde discursava, a que impôs tarifas de 35% depois de, tendo inicialmente previsto 30%, ter tido uma conversa “agressiva” com os seus responsáveis políticos. A “terra dos relógios, do Rolex”, “queria aproveitar-se dos Estados Unidos, toda a gente quer aproveitar-se dos Estados Unidos”, disse. “Sem nós, a maioria dos países nem sequer funciona. E depois têm a nossa proteção” – disse Trump, para explicar que o mundo tem de estar agradecido aos Estados Unidos.

Trump explicou que o investimento direto estrangeiro no seu país atingiu no ano passado 80 biliões de dólares – “nunca visto antes” – vindo de todas as geografias. Foi uma estranha introdução para o tema seguinte: a imigração, e o seu sucedâneo – a segurança interna que as suas iniciativas conseguiram impor. “Washington DC é agora um lugar onde se pode passear com a mulher e os filhos”, afirmou. “O que fizemos é espantoso”, reafirmou. O que, aliás, também aconteceu, explicou, com as redes de tráfico de droga oriundas da Venezuela.

“Estamos em posição de fazer coisas que ninguém imagina e que mais ninguém pode fazer”, concluiu.

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