[weglot_switcher]

Produção farmacêutica com queda drástica em 2026 para 1,6%

De acordo com um estudo recente da Crédito y Caución, o setor sofrerá uma queda de oito pontos, após fechar 2025 com um aumento de 9,1%.
27 Janeiro 2026, 15h31

O setor farmacêutico global prepara-se para um cenário de forte desaceleração em 2026, apesar de manter níveis sólidos de liquidez e solvência. Segundo o relatório mais recente da Crédito y Caución, a produção mundial deverá crescer apenas 1,6% no próximo ano, uma queda abrupta face à expansão de 9,1% projetada para 2025.

A análise atribui esta queda ao efeito bumerangue das tarifas.

O crescimento atípico esperado para 2025 deve-se à antecipação massiva de encomendas por parte das empresas, que tentam proteger-se contra a nova política comercial dos EUA. A administração norte-americana já sinalizou tarifas de até 100% sobre medicamentos de marca ou patenteados não fabricados em solo americano, forçando muitas farmacêuticas a investir milhares de milhões na relocalização de fábricas para os Estados Unidos.

Na Europa, segundo a Crédito y Caución, o impacto será particularmente severo na Irlanda, já que a produção deverá abrandar drasticamente após o pico de 41% em 2025, impulsionado pelo “stocking” estratégico.

Na União Europeia prevê-se uma queda na produção para os 3,7%, com as empresas a perderem competitividade para os polos dos EUA e da China.

A par das tensões alfandegárias, a indústria enfrenta a perda de exclusividade de fármacos críticos. Estima-se que as 15 patentes mais importantes do mundo em áreas como oncologia e metabolismo (incluindo o princípio ativo do Ozempic) expirem nos próximos anos.

Esta quebra de receitas coincide com cortes orçamentais na saúde pública em vários países, o que coloca sob pressão o investimento em Investigação e Desenvolvimento (I+D), essencial para a criação de novos medicamentos de alto valor acrescentado.

Apesar dos obstáculos, o envelhecimento populacional e o aumento de doenças crónicas garantem uma procura robusta a longo prazo. No entanto, para evitar a erosão das margens comerciais, as empresas do setor terão de redesenhar as suas estratégias, optando entre o ajuste de custos operacionais ou o investimento massivo em território americano para contornar o bloqueio comercial.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.