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CEO do BPI admite vender participação no BCI e reduzir no BFA

“As participações em Angola e em Moçambique não são estratégicas”, sublinhou o CEO do BPI.
2 Fevereiro 2026, 12h41

João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, na apresentação dos resultados anuais, frisou que as participações no BCI e no BFA não são estratégicas e como tal o BPI está disponível para as vender.

“Estou disponível para vender, porque não são participação estratégicas”, afirmou o banqueiro.

No caso Banco de Fomento Angola (BFA), onde a participação do BPI passou a ser de 33,35% depois do IPO (Oferta Pública Inicial), a possibilidade de vender mais ações em bolsa agora que o banco está cotado foi admitida pelo CEO, e no BCI onde o BPI tem 35,7%, João Pedro Oliveira e Costa também admitiu vender se surgir uma oportunidade. O banqueiro lembrou que o outro acionista do BCI é a CGD e que não fará nada sem estar alinhado com a Caixa.

Assim como não venderá mais ações em bolsa do BFA sem falar antecipadamente com a Unitel, outro acionista do BFA com 36,9%, garantiu.

“Hoje temos a opção de venda de uma maneira muito mais tranquila, já que o mercado é aberto. A única coisa que eu tenho que ter sempre em atenção, e teremos toda a atenção, é, não farei nada que prejudique o mercado financeiro angolano, ou o sistema financeiro angolano, e por isso, todas as ações que o BPI tomar daqui para a frente será informando prioritariamente as autoridades angolanas dos seus movimentos”, sublinhou.

João Pedro Oliveira e Costa salientou a importância de preservar a estabilidade do BFA e do sistema financeiro. “O mercado angolano, não é estratégico para o BPI, tal e qual como o mercado moçambicano, não é estratégico para o BPI, não são os nossos mercados de foco e por isso  iremos prosseguir o nosso movimento de redução, com calma”, revelou.

O CEO do BPI disse que  “são participações históricas, mas minoritárias e por isso a nossa intervenção é relativamente reduzida”. No BFA o BPI não tem representantes na administração e no caso do BCI a Caixa Geral de Depósitos, que na prática comanda o banco com os seus 75%.

Segundo foi noticiado, o Grupo Carrinho, que já tinha manifestado interesse no BFA no passado, aproveitou o IPO para construir uma participação de 7,6% no BFA, mas não está representado no Conselho de Administração. O CEO do BPI lembrou que “para ter mais de 10%, tem que pedir autorização ao BNA (Banco Nacional de Angola).

No BFA há um acordo parassocial em vigor e o banco tem também regras estatutárias. “Não nomeamos ninguém para os órgãos sociais, temos isto completamente claro, por isso nós não iremos intervir,  mas há uma acionista que nomeia, neste caso é a Unitel”, disse.

João Pedro Oliveira e Costa lembrou os problemas com o regulador Moçambicano, quando em dezembro de 2023, aplicou uma multa superior a 134 milhões de meticais (aproximadamente 1,9 milhões de euros) ao banco e 12 gestores, por irregularidades em operações de crédito e proteção de clientes. Nos processos de contraordenação aplicados aos administradores do BCI, alguns portugueses do BPI, foram todos ilibados, mas o BPI ficou desconfortável com a suspeita lançada.

O BCI teve um contributo negativo de 20 milhões para o resultado do BPI, porque causa da queda do rating do país.

“A situação em Moçambique tem vindo a evoluir nos últimos anos, e não tem sido a melhor, infelizmente, apesar de ter aqui algumas perspectivas positivas, também não posso ficar indiferente a um conjunto de ações que próprias autoridades foram tendo em relação ao banco e em relação aos membros do Conselho de Administração, e não sendo uma posição estratégica, que não é, a venda é algo que eu diria que está sempre no nosso radar de ponderação do que fazer. Mas eu respeito muito o meu parceiro acionista de Caixa Geral Depósitos e por isso também não tomarei nenhuma atitude nem faremos nada que não seja, obviamente, sem informação prévia à Caixa. Confesso que não é uma situação que eu não gostaria de ver prolongar-se no tempo. O problema é que o país está numa situação bastante desafiante”, disse  o banqueiro na conferência de imprensa.

O BPI recebeu 43 milhões de contribuição do BFA, por conta da percentagem de capital de 48% que tinha antes, e este ano já só receberá referente à nova percentagem acionista de 33,3%.

O presidente do banco sublinhou que já não conta com a contribuição dos resultados em África para o desenvolvimento do BPI, uma vez que distribuem 100% dos ganhos no BCI e BFA ao seu acionista CaixaBank, “por isso nem sequer contribui para o desenvolvimento do próprio BPI”.

No caso do BCI, em Moçambique, a contribuição não é pela apropriação dos dividendos, o resultado é consolidado pelo equity net, explicou a CFO do BPI, Susana Trigo Cabral.

A administradora financeira explicou que o BPI consolida a proporção do resultado do BCI. Em 2025, houve um downgrade dos ratings do Governo, com as várias empresas de rating a colocarem a dívida pública de Moçambique em “selective default”. Por causa disso o BCI teve de registar uma imparidade na conta de resultados, via provisões para a sua carteira a dívida pública, ou seja, para a carteira de OTs e BTs de Moçambique. Este reforço extraordinário de imparidades impactou negativamente em 35 milhões os resultados de 2025. Para além disso, no BPI também tivemos de fazer uma avaliação da participação do BCI, por causa da descida de rating, e aqui foram 7 milhões de euros”.

O presidente do BPI teve ainda tempo de abordar a morte em Maputo do português Pedro Ferraz dos Reis, administrador f(CFO) nomeado pelo BPI para o BCI, “conhecia há mais de 20 anos”.

João Pedro Oliveira e Costa, na primeira vez que falou publicamente sobre o caso, diz ter ficado “completamente chocado com a sua morte”, que foi considerada um suicídio pelas autoridades.

“Relativamente à sua continuidade nos órgãos sociais do BCI, ia continuar pois fazia parte da lista dos órgãos sociais e tínhamos falado em ficar mais tempo, porque  o Pedro Ferraz dos Reis, gostava muito de Moçambique e tinha vontade de continuar”, comentou.

João Pedro Oliveira e Costa vai manter-se CEO para implementar plano estratégico, mas “não quero comprar o Banco CTT”

O CEO do BPI não desvenda nenhuma bala de prata para crescer a rentabilidade (que caiu em 2025), mas questionado sobre se estaria interessado em comprar o Banco CTT respondeu que “não vamos comprar o Banco CTT”, no entanto ironizou dizendo, que se estivesse interessado também diria que não “como é óbvio”

“Acreditamos que, com os planos de crescimento orgânico que temos nas várias atividades onde estamos concentrados,  especificamente Portugal, iremos manter níveis de rentabilidade significativos muito perto daquilo que são as metas do grupo. Temos um plano estratégico em curso que prevê uma rentabilidade superior a 15% de retorno de capital, com níveis de capital próximos daqueles que temos”, disse João Pedro Oliveira e Costa.

“O nosso objectivo de médio prazo, é continuar com níveis de rentabilidade razoáveis”, sublinhou, acrescentando que “acreditamos que é possível o BPI crescer mais do que os nossos concorrentes, em termos de ganhos de quota”.

“Não acredito no crescimento de preço do lado das comissões ou dos spreads pois o nível de competitividade é tão elevado em Portugal e ainda vai entrar um novo concorrente, o BPCE que comprou o Novobanco, por isso acho que o mercado vai continuar a ser bastante competitivo. Temos que ter as nossas ferramentas, quer através das metodologias internas da sua organização, do modelo de negócio, mas não vamos aqui abrir o jogo”, disse João Pedro Oliveira e Costa.

Questionado sobre a sua continuidade num novo mandato, João Pedro Oliveira e Costa disse que “o mandato acabou no fim do ano. Estou tranquilo, o projeto para 2026 está em curso, vamos implementá-lo. Penso que não haverá novidades”, insinuando a sua continuidade, o que aliás já tinha sido noticiado pelo Jornal Económico.

“Estou tranquilo relativamente a esse tema”, disse o CEO.

Questionado sobre as contas poupança e investimento, propostas pela Comissão Europeia, João Pedro Oliveira e Costa ironizou: “confesso que ainda não tenho uma ideia muito firme sobre o assunto e até estaria curioso para saber se alguém tem uma ideia muito firme sobre o tema, até porque não passa ainda de uma ideia e de conversas sobre o assunto”.

Defendeu a importância dos depósitos para o financiamento dos bancos. Parte do funding do negócio bancário é através de depósitos ou equivalentes. “O funding através de depósitos tem várias vantagens, não só porque dispersa a fonte de financiamento, mas também porque é mais estável e menos volátil em relação a condições externas de mercado”, disse.

“Ao mesmo tempo, também considero que é importante as pessoas terem uma visão de médio prazo, de poupança, nomeadamente para terem uma rentabilidade esperada maior. Mas essa não tem sido o espírito das pessoas na Europa”, acrescentou.

O CEO do BPI lembrou também que toda esta conversa das contas de poupança e investimento em alternativa aos depósitos “surge numa altura em que os mercados financeiros subiram o que subiram. Gostava de ouvir a mesma opinião e o mesmo entusiasmo em outros momentos de mercado e eu já ando a cá há 37 anos de mercados financeiros, já vi muita coisa”.

“Tem que haver aqui um equilíbrio importante entre aquilo que nós queremos que seja a rentabilidade das pessoas para a sua reforma e aquilo que lhes estamos a prometer. Mas estamos completamente disponíveis para continuar a estudar e analisar”, concluiu.

(atualizada)

 

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