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10 conselhos para gerir o orçamento e poupar

Gerir o dinheiro para que não seja ele a gerir-nos. Disciplina dá-nos previsibilidade e poupança a liberdade para decidir. Bons princípios que fomos aprender com especialistas.
2 Novembro 2025, 16h05

Gerir o orçamento de cada um ou da família é sempre um desafio. Parece que as despesas têm vida própria e consomem qualquer receita que delas se aproxime.

Mesmo com a economia a crescer, ainda que a um ritmo baixo, já passado o tempo das taxas de juro mais elevadas – que não vão voltar a valores negativos –, mas com uma inflação que vai persistindo, ainda que sob controlo aparente, e salários sob pressão, o desafio orçamental é uma realidade.

Ainda assim, tem sido percorrido caminho e estamos mais alerta para os temas financeiros e a literacia está a crescer em Portugal, impulsionada por especialistas como a equipa do Doutor Finanças, Bárbara Barroso, fundadora do MoneyLab, Pedro Andersson, do Contas-poupança, Catarina Brandão, da Cat Poupança, ou Catarina Machado. Com base nos seus conselhos, reunimos 10 passos práticos para ajudar a gestão orçamental.

1. Conheça os seus rendimentos e despesas
Antes de começar a poupar, é essencial perceber de onde vem e, especialmente, para onde vai o dinheiro. Registe todas as receitas fixas e as despesas variáveis, desde as maiores, como a renda da casa, ou as mais pequenas, como o café diário. Entre o rendimento líquidos mensal (convém não descurar os impostos) e as despesas fixas encontra-se a margem de manobra disponível.
Sem este diagnóstico, a gestão financeira é apenas uma ilusão de controlo. Sem informação, é impossível fazer opções conscientes, o que quer dizer que não decidimos.

2. Estabeleça um orçamento mensal e cumpra-o
Criar um orçamento é o primeiro ato de disciplina financeira. Divida as despesas por categorias — habitação, alimentação, transportes, lazer — e fixe limites realistas para cada uma delas.
Como no Estado, mais do que fazer o orçamento, é preciso cumpri-lo. Reveja-o semanalmente, use aplicações específicas ou folhas de cálculo e adapte-o à realidade. Assim, evitará derrapagens e perceberá rapidamente onde ajustar.

3. Defina prioridades, o que é essencial e o que é supérfluo
Como em tudo, gerir bem o dinheiro passa por distinguir o que é necessário do que é acessório. A habitação, a alimentação e a saúde são indispensáveis, claro; os gastos por impulso, não o são. Cortar no que é supérfluo é o primeiro passo para ganhar margem de poupança sem comprometer a qualidade de vida.

4. Pague-se primeiro

Um dos princípios mais citados por Bárbara Barroso e Pedro Andersson é o de “pagar-se primeiro”. Assim que o salário entra na conta, transfira automaticamente uma percentagem para poupança, antes de pagar qualquer despesa. Mesmo 50 euros mensais podem fazer diferença a longo prazo, especialmente quando se começa cedo. A poupança deve ser tratada como uma obrigação, não como uma opção.

5. Siga a regra dos 50/30/20
A regra é simples: 50% do rendimento para despesas fixas, 30% para variáveis e 20% para poupança ou amortização de dívidas. Não é uma fórmula rígida, mas um guia que ajuda a visualizar o equilíbrio financeiro. Depende do nível de rendimento, primeiro, dos compromissos e dos objetivos, a seguir.

6. Crie um fundo de emergência
Catarina Brandão e Catarina Machado sublinham a importância de um fundo de emergência com pelo menos três a seis meses de despesas essenciais. É a diferença entre reagir e entrar em pânico quando surge um imprevisto.
Este fundo deve ser guardado numa conta separada, de fácil acesso, mas sem cartão associado. Assim, evita recorrer a crédito caro em situações de urgência.

7. Controle os pequenos gastos diários
São os pequenos hábitos que, acumulados, fazem grandes estragos no orçamento. Um café e um snack por dia pode facilmente ultrapassar 500 euros por ano.
Estabeleça um limite semanal para despesas deste tipo e registe-as. O simples ato de anotar o que gasta aumenta a consciência financeira e ajuda a cortar excessos com menor esforço.

8. Automatize e acompanhe
A automatização é aliada da disciplina. Configure transferências automáticas e alertas de controlo de gastos.
No fim de cada mês, reveja o orçamento e analise desvios. Pequenas correções frequentes são mais eficazes do que grandes mudanças de uma só vez. A consistência é o verdadeiro segredo da poupança.

9. Reduza dívidas e evite novas acumulações
Pagar dívidas com juros elevados é, em si, uma forma de poupar. Olhe o que acontece com a dívida pública.
Cartões de crédito e créditos ao consumo podem tornar-se armadilhas financeiras se não forem controlados.
Renegoceie taxas, consolide créditos e evite novas dívidas. Cada euro poupado em juros é um ganho imediato e certo. A estabilidade financeira começa quando a dívida deixa de mandar nas decisões.

10. Alinhe os gastos com os seus objetivos
A poupança é mais eficaz quando tem propósito. Defina metas concretas, como comprar casa, fazer uma viagem ou garantir uma reforma mais tranquila.
Ao dar um nome à poupança, cria-se motivação. Pergunte-se sempre se cada despesa o aproxima ou afasta desses objetivos.
Gerir o orçamento não é viver com restrições, mas viver com escolhas. Conhecimento, saber quanto entra, quanto sai e porquê é o alicerce da tranquilidade financeira. Com estes 10 passos — do diagnóstico à disciplina, da poupança automática à eliminação de dívidas — é possível transformar a relação com o dinheiro e conquistar liberdade.


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