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“A cada semana morrem quatro crianças por subnutrição”: Venezuela pede ajuda ao Papa

Papa Francisco recebeu uma carta do Parlamento venezuelano a pedir auxílio para ultrapassar a crise humanitária que assola o país.
Tony Gentile / Reuters
1 Setembro 2017, 12h24

Os venezuelanos pediram ao líder da Igreja Católica que interviesse junto do presidente Nicólas Maduro, não só para que este autorize a entrada de alimentos e medicamentos no país, mas também para que acabe com a “perseguição política contra opositores” e comece a “respeitar os Direitos Humanos”.

Na carta redigida ao Papa, Julio Borges, chefe do Parlamento, escreve que “o nosso país vive uma crise humanitária sem precedentes e de grandes dimensões. Associações não governamentais têm avaliado a sua gravidade e estudos recentes mostram uma dolorosa situação que clama pela consciência do mundo inteiro”.

“A cada semana morrem quatro crianças por subnutrição, o índice de escassez de medicentos supera os 90% e milhões de venezuelanos cruzam as fronteiras para fugir da tragédia”, acrescenta Julio Borges na carta divulgada pelo Expresso. O líder parlamentar aproveita para realçar que as doações feitas ao país foram recusadas pelo Governo de Nicolás Maduro.

“Esta penosa situação é o produto de um sistema que concebe o poder como força para a dominação das pessoas e se mostra indolente perante os efeitos da crise humanitária. Nos últimos meses, instituições internacionais, entre as quais, a Cáritas Chile, têm tentado fazer-nos chegar matérias primas, alimentos e medicamentos para aliviar o sofrimento, mas quem ostenta o poder tem-se negado a receber estes gestos de solidariedade”, lê-se.

“Somos vítimas da pior das injustiças sociais. Dói-nos encontrar, nas ruas da Venezuela, famílias inteiras a comer do lixo, crianças que morrem por falta de medicamentos e jovens que emigram à procura de um melhor futuro no estrangeiro”, sublinha Julio Borges na missiva, segundo o qual, “à fome e à doença, soma-se uma profunda crise institucional, marcada pela perseguição política”.

“Os que geraram as condições de fome e fecham as portas à ajuda humanitária, empenham-se em permanecer no poder. Desconhecem que o país clama por justiça e ignoram os numerosos pedidos para retificarem. A teimosia leva-os a ignorar sistematicamente a Assembleia Nacional e a propor o seu desaparecimento físico. Essa atitude antidemocrática agrava a crise e evidencia uma tendência autocrática incompatível com a prosperidade e a liberdade”, conclui Julio Borges.

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