A mobilidade já cabe num smartphone

Há ‘apps’ para chamar um carro ou uma trotinete na rua, mas é possível fazer muito mais. Como está a Inteligência Artificial a mudar a mobilidade nas cidades?

Quando se pensa no futuro da mobilidade, muitos sonham com carros voadores para fugir ao trânsito em hora de ponta, mas a Inteligência Artificial (IA) ainda não foi tão longe em 2020. Por enquanto, a IA permite chamar táxis e TVDE através do smartphone, e ajudar a desenvolver trotinetes e bicicletas elétricas que podemos usar como meio de transporte.

Ao Jornal Económico (JE), José Manuel Viegas, da consultora TISPT, assume que têm surgido “modificações importantes do lado da oferta da mobilidade” que têm permitido reinventar o setor, uma vez que permite tirar “partido da disponibilidade em tempo real de dados de múltiplas fontes”, que contribuem para “melhorar a qualidade e reduzir os custos das deslocações”. No fundo, melhorar a eficiência do sistema de transportes em geral.

A empresa de trotinetes Lime acredita que “estradas mais seguras, menos congestionamentos e uma pegada de carbono reduzida é apenas o começo” de uma nova mobilidade nas cidades portuguesas, tanto que Nuno Inácio, Market Lead da Lime, esclarece que os dados recolhidos pelas cidades são um dos maiores aliados para “entender melhor os padrões de tráfego, o comportamento dos utilizadores dos diversos meios de mobilidade e o planeamento das infraestruturas”.

Para David Ferreira da Silva, Coutry Manager da Bolt, as mudanças no setor são cada vez mais notórias, destacando-se a “mobilidade elétrica, algo cada vez mais importante no mundo em que vivemos”. “As cidades já começaram a reinventar-se neste sentido, seja através do aumento do número de transportes públicos elétricos, locais de carregamento, mais ciclovias e ainda serviços de micromobilidade, tais como bicicletas e trotinetes elétricas, ajudando a otimizar a rotina e o estilo de vida citadino”, garante ao JE.

Por sua vez, Sérgio Pereira da Free Now, admite que a IA “é a protagonista do setor, já que é a ‘senhora’ da gestão de dados”, que muito tem contribuído “para a dinamização e crescimento do setor” ao longo dos últimos anos. Segundo o diretor-geral da Free Now, a IA, juntamente com a mobilidade partilhada, “está a mudar a forma como nos movemos nas cidades e vai ter também um papel fundamental no desenvolvimento de cidades mais inteligentes e mais sustentáveis”.

Manuel Pina, diretor-geral da Uber, realça que a IA lhes permitiu aplicar uma “nova tecnologia de segurança na app com um sistema inteligente de verificação facial”. Este sistema serve para os motoristas e clientes, e veio garantir que todas as regras de segurança em altura de pandemia são cumpridas.

Num cenário de futuro ideal para as cidades, Sérgio Pereira observa que os “transportes autónomos, elétricos, a hidrogénio e adaptados às necessidades de cada cidade e cidadão serão as principais tendências a seguir”, embora com a panóplia de opções atuais seja “fantástico ver que cada vez mais o serviço se adequa ao tipo de cliente”. Aliado à personalização dos serviços, o diretor-geral da Free Now destaca que será “fundamental contar com as apps para tudo”, bem como ter uma mobilidade versátil e “cada vez mais sustentável, rápida e a um custo justo”.

Para a Bolt, “as pessoas não deveriam ter de escolher como se pretendem deslocar, mas sim poderem consultar qual o transporte mais conveniente para realizar determinado percurso”, tanto que a própria equipa de David Ferreira da Silva já se encontra a “trabalhar para que esse cenário se aproxime cada vez mais da realidade”.

Para José Manuel Viegas, o futuro passa por “recorrer a soluções mais inovadoras e inteligentes para conseguir a transferência voluntária de modo de transporte”. “Veremos uma maior presença das soluções de duas rodas, e também de soluções de mobilidade partilhada em pequenos grupos”, destaca o administrador não executivo ao JE.

Com os avanços da IA na tecnologia, a mobilidade não se deixa ficar atrás. Nuno Inácio defende que, apesar do mundo estar a passar por uma crise pandémica, “não podemos perder a oportunidade de priorizar o transporte não motorizado” e que está na altura “das cidades responderem construindo infraestruturas e abrindo espaço nas ruas para acomodar os novos meios de transporte de micromobilidade”, que é o mercado da Lime. Para o diretor-geral da Uber, a lógica intermodal, disponível pela app, pretende “aumentar a eficiência nas redes de transportes existentes, reduzindo o número de carros em circulação” e, consequentemente, as emissões de CO2.

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