Jerónimo de Sousa: “A solução dos problemas nacionais não passa por uma política de direita retocada ou maquilhada”

PCP considera que a elaboração de um “verdadeiro programa de recuperação” implicará “fazer opções soberanas, detendo nas suas mãos os instrumentos apropriados e não dependentes dos critérios e decisões de terceiros”.

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) fez recentemente uma forte crítica ao Partido Socialista (PS), referindo que a solução dos problemas de Portugal não passavam por “uma política de direita retocada ou maquilhada”.

“Para o PCP a solução dos problemas nacionais não passa por uma política de direita retocada ou maquilhada, como se perspetiva. Portugal precisa de pôr em marcha um verdadeiro programa de desenvolvimento do país”, garantiu Jerónimo de Sousa, durante a sua intervenção no jantar-comício dos comunistas em Nisa que se realizou na sexta-feira à noite.

O representante dos comunistas considerou que a elaboração do “verdadeiro programa de recuperação” implicará “fazer opções soberanas, detendo nas suas mãos os instrumentos apropriados e não dependentes dos critérios e decisões de terceiros”. Portugal “precisa de uma agenda própria que olhe para os problemas do País sem imposições de qualquer espécie, designadamente da União Europeia”, frisou o líder do PCP.

“Precisamos de acelerar o investimento. Adquirir os equipamentos que o País carece, construir infraestruturas, assegurar serviços públicos essenciais”, destacou Jerónimo de Sousa, que apontou também que a alternativa “não prescinde de assegurar a libertação do País da submissão ao Euro, de garantir a renegociação da dívida pública para libertar recursos para o seu desenvolvimento”.

Entre as soluções que os comunistas consideram que devem ser priorizadas estão a ” a valorização dos salários, das reformas, pensões “, o combate à precariedade e à corrupção, de acordo com as declarações divulgadas pelo partido.

Esta não é a primeira vez, nos últimos meses, que o líder do PCP sugere a influência da direito no governo de António Costa, sendo que no jantar-comício do partido comunista no Algarve, a 16 de agosto, Jerónimo de Sousa insinuou que poderá existir uma “concertação estratégica” entre PS e PSD, segundo o jornal “Expresso”.

“O que a vida vai revelando e os factos confirmando é que aqueles que no passado se concertaram para impor a política de direita estão hoje a preparar o terreno e a procurar a melhor forma de perpetuar essa política que se revelou de desastre nacional”, previu Jerónimo de Sousa que destacou também que apesar de se falar num entendimento à esquerda isso está longe de acontecer.

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