A administração norte-americana de Donald Trump, no afã de imposição de tarifas por todo o mundo, está a incluir desde afloramentos rochosos que albergam ursos polares no Ártico a uma antiga colónia penal britânica.
Na quarta-feira, o Presidente americano, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de base global de 10% a todos os países que considera estarem a criar barreiras comerciais aos produtos norte-americanos, acrescentando uma tarifa adicional para aqueles que considera serem os “piores infratores”.
Alguns países, como a Rússia, que enfrenta sanções dos EUA, e o Canadá e o México, com medidas tarifárias separadas, ficaram de fora. A Santa Sé, por exemplo, também foi excluída da lista de dezenas de países e territórios visados pelo Presidente dos EUA.
Mas na lista de visados há territórios que têm pouca ou nenhuma produção, exportação ou papel na economia global. Não foi dada qualquer explicação imediata sobre o motivo pelo qual estes locais foram incluídos na lista.
A ilha de Jan Mayen é um exemplo. É uma pequena ilha vulcânica no Ártico, com 55 quilómetros de comprimento e possivelmente com mais ursos polares do que pessoas.
Os únicos habitantes da ilha, que faz parte da Noruega desde 1930, são pessoal do Instituto Meteorológico norueguês e do exército, cujo principal papel é supervisionar a reivindicação de soberania da Noruega sobre a ilha, voando com aviões de carga C-130 Hercules para Jan Mayen uma dúzia de vezes por ano a partir da Noruega.
Questionados pela agência de notícias AP, os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Ambiente da Noruega não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
Toquelau, um pequeno arquipélago da Polinésia, no sul do oceano Pacífico, três ilhas num total de 10 quilómetros quadrados onde vivem 1.500 pessoas, também está a enfrentar tarifas aduaneiras de 10% impostas por Donald Trump.
É uma das mais pequenas economias da região, vive da agricultura de subsistência, da pesca e do financiamento da Nova Zelândia.
Roland Rajah, economista-chefe de um instituto australiano disse, citado pela AP, que vai ser difícil às pequenas economias insulares fazerem Washington mudar de ideias, dado o seu pequeno tamanho e invisibilidade para a administração de Donald Trump.
A ilha Christmas, com menos de 2.000 habitantes, na mesma lista, já disse que o atol do oceano Índico, território australiano, não exporta nada para os Estados Unidos. O presidente do condado, Gordon Thomson, explicou que dos americanos apenas compra máquinas do fabricante texano Caterpillar, e que a única coisa que exporta são fosfatos, para a Malásia, Indonésia e “talvez Tailândia”.
E também na mesma lista as ilhas Heard e McDonald, outro território australiano, na Antártida, desabitado, na maioria estéril, com dois vulcões ativos. A Divisão Antártida, do governo australiano, não respondeu sobre a forma como a tarifa poderia afetar as suas operações nas ilhas.
Também australiana, a ilha de Norfolk, que já foi uma colónia penal, com uma população de 2.000 pessoas, recebeu um tratamento mais severo.
A administração de Donald Trump disse que a ilha cobra aos Estados Unidos 58% de tarifas e respondeu com uma taxa de 29% para Norfolk, cuja economia gira em torno do turismo.
O administrador da ilha de Norfolk, George Plant, representante do governo australiano na ilha, estava a investigar o que estava por detrás da situação.
“Pelo que sei, não exportamos nada para os Estados Unidos”, disse à AP. “Não cobramos tarifas sobre nada. Também não me lembro de nenhuma barreira não tarifária, por isso estamos a coçar a cabeça”.
Também o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, disse ironicamente não ter a certeza de que a ilha Norfolk seja uma concorrente comercial da economia norte-americana.
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