[weglot_switcher]

África do Sul critica o Congo por assinar acordo de mineração com os Estados Unidos

O ministro de Minas da África do Sul criticou a República Democrática do Congo por assinar um acordo de mineração com os Estados Unidos, afirmando que a decisão ameaça a soberania do continente por via da intensificação da corrida pelos recursos naturais da África. É a ‘guerra’ China-EUA a prosseguir.
12 Fevereiro 2026, 09h26

O ministro de Minas da África do Sul, Gwede Mantashe, afirmou, no âmbito da conferência Mining Indaba, na Cidade do Cabo, que os Estados africanos devem “aprofundar a colaboração” entre si na cada vez mais importante área da extração de minerais raros, ao invés de enfeudar a atividade a potências estrangeiras. A República Democrática do Congo assinou um acordo com os Estados Unidos para a mineração de minerais críticos – no quadro mais alargado de uma corrida a matérias-primas essenciais para a produção de tecnologia, protagonizada pelos Estados Unidos e pela China, potência global na matéria. A intenção dos Estados Unidos é a de criar uma zona de livre comércio para minerais críticos – com preços mínimos destinados a estabilizar os mercados para contrariar o domínio da China.

Também o presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, pediu aos países africanos que construam cadeias de valor regionais em torno da logística da mineração, juntamente com o processamento e refinação de minerais. “Seja a Ferrovia Tazara ou o Corredor do Lobito, precisamos de concentrar-nos não apenas no transporte, mas também no que estamos a transportar”, disse, para deixar claro que a refinação não deve ser deixada nas mãos de países terceiros, sob pena de o continente perder o domínio sobre os seus próprios ativos naturais. O que, aliás, sucedeu historicamente com o petróleo e com os diamantes. A intenção é, portanto, não repetir o que viria a revelar-se um erro histórico. “Precisamos de uma visão partilhada para o processamento de minerais que vá além da extração”.

Recorde-se que a administração Trump tem planos para lançar uma zona de comércio de minerais críticos, na sequência da realização de uma cimeira em Washington que reuniu autoridades de 54 países, incluindo vários de África. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as cadeias de fornecimento estão “altamente concentradas”, deixando as economias avançadas sem os materiais necessários para energia verde e defesa. Pequim desenvolveu cadeias de fornecimento robustas ao longo de vários anos: a Agência Internacional de Energia estima que a China seja a principal refinadora de 19 dos 20 minerais estratégicos mais importantes, com uma participação média de mercado de 70%.

Segundo relata a imprensa, o presidente congolês, Félix Tshisekedi, estava entre os presentes no evento da Casa Branca, que não contou com a presença de representantes sul-africanos. As relações entre Pretória e Washington deterioraram-se durante o governo Trump, na sequência de uma vista do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa a Washington, a meio de 2025, que não correu bem.

No quadro da ‘guerra’ entre os Estados Unidos e a China em matéria de materiais críticos – entre eles as terras raras – a gigante suíça Glencore aceitou, neste mês, em vender 40% da sua participação nas minas de cobre e cobalto na República Democrática do Congo ao consórcio Orion, apoiado por Washington.

Para Mantashe, a falta de cooperação entre os países africanos resultaria numa “corrida para o fundo do poço” em que, como sempre, seria o continente a perder a tutela dos seus ativos naturais. A ideia do governante sul-africano é a de lançar o processamento conjunto dos minerais e o controlo da expansão dos mercados a jusante da mineração.

Números do setor indicam que África detém até 30% das reservas conhecidas de minerais críticos, processando apenas uma pequena fração do que está a ser explorado.

Além da zona de comércio de minerais críticos, os Estados Unidos também lançaram uma reserva de financiamento de 12 mil milhões de dólares para a exploração de minerais críticos, como o mesmo intuito de combater o domínio chinês – que já causou duros dissabores a Washington. Recorde-se que foi por via da suspensão da exportação destes materiais que a China conseguiu impedir que os Estados Unidos impusessem barreiras tarifárias imensas às exportações de Pequim.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.