Agricultores querem postos prioritários durante greve dos motoristas

A Confederação dos Agricultores de Portugal considerou que é “fundamental” que sejam assegurados postos de abastecimento prioritários, de gasóleo rodoviário e agrícola, em todas as sedes de concelho, durante a greve dos motoristas

Carlos Barroso / Lusa

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considerou este sábado que é “fundamental” que sejam assegurados postos de abastecimento prioritários, de gasóleo rodoviário e agrícola, em todas as sedes de concelho, durante a greve dos motoristas.

“A CAP considera fundamental que haja postos de abastecimento prioritários em todas as sedes de concelho. Pelo menos um posto em cada sede de concelho, com capacidade para facultar gasóleo rodoviário, mas também gasóleo agrícola”, defenderam, em comunicado os agricultores.

Por outro lado, conforme indicou a confederação, existem locais específicos, em particular nas regiões onde já decorrem as colheitas, como associações agrícolas e cooperativas, “que possuem depósitos apropriados e que poderão servir de locais específicos de abastecimento para os agricultores em colheita e seus transportadores”.

Adicionalmente, “é crucial” garantir o funcionamento das fábricas, assegurando que estas têm como abastecer-se.

“As fábricas de transformação de tomate funcionam com nafta, ou gasóleo, e têm de ser abastecidas numa base quase diária. Tem que se garantir que a cadeia de valor da agricultura em colheita é assegurada”, exemplificou.

De acordo com a CAP, regiões como o Douro, Minho, Oeste, Lezíria do Tejo, Alqueva, Sudoeste Alentejano, Mondego e Fundão “possuem locais próprios que, se forem devidamente abastecidos, retiram da circulação das estradas centenas de viaturas na busca de postos onde o cidadão comum procurará o seu abastecimento”.

Estes locais integram uma lista já enviada ao Governo e que terá sido objeto de análise na última reunião do Conselho de Ministros, “aguardando-se, a todo o momento, que as conclusões sejam oficialmente anunciadas”.

A CAP “continuará a colaborar ativamente com o Governo, por forma a garantir que o setor agrícola em colheita, incluindo as necessidades específicas da pecuária, sejam atendidas”, concluiu.

Na segunda-feira, a confederação já tinha alertado para as consequências desastrosas que a greve dos motoristas terá para as colheitas, considerando que o Governo não teve em conta os agricultores na rede de emergência.

Em declarações à Lusa, o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, afirmou, à data, que uma greve em pleno mês de agosto, altura da colheita de vários produtos, como por exemplo o tomate, a pera-rocha e a uva para o vinho, “pode constituir um desastre” e não sabe se “o Governo está consciente” quanto à sua gravidade.

“Pretendemos que o Governo tome a devida consciência da situação, porque em pleno mês de agosto com temperaturas elevadas, com culturas perecíveis, que têm de ser colhidas em períodos de tempo muito curtos que estão programados há meses, [as culturas] não podem de maneira nenhuma ficar no terreno”, disse Eduardo Oliveira e Sousa.

O dirigente da CAP considerou ainda que a rede de emergência para abastecimento dos postos de combustíveis anunciada pelo Governo não contempla as zonas rurais.

A greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que começa no dia 12, por tempo indeterminado, ameaça o abastecimento de combustíveis e de outras mercadorias.

O Governo terá que fixar os serviços mínimos para a greve, depois das propostas dos sindicatos e da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluem trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

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