AIP. 87% das empresas recusam aumento de impostos para financiar impacto da Covid-19 nas contas públicas

Um estudo da Associação Industrial Portuguesa, a que o Jornal Económico teve acesso, mostra que cerca de 13% das empresas entende que, a existir um esforço fiscal, esse deve recair sobre as grandes empresas. A AIP nota ainda que “é escasso o apoio financeiro às empresas” e 78% é a favor da prorrogação das moratórias.

Um estudo revelado esta segunda-feira pela Associação Industrial Portuguesa (AIP) indica que 87% das empresas recusam um aumento de impostos para financiar o impacto que a pandemia está a provocar nas contas públicas. Cerca de 13% das empresas entende que, a existir um esforço fiscal, esse deve recair sobre as grandes empresas e que se deve manter o diferimento do IVA e retenção do IRS.

O estudo da AIP, a que o Jornal Económico teve acesso, foi realizado entre 16 e 22 de abril e contou com respostas de 1.632 empresas. Do total de 1.632 empresas inquiridas, as de pequenas dimensão são as que mais dizem estar indisponíveis para aceitar uma maior carga de impostos (89%), com especial destaque para o sector da agricultura e pescas, em que 96% das empresas recusam um maior esforço fiscal.

A par com o sector da agricultura e pescas, também os sectores da construção (91%) e o da Indústria (88%) são dos que mais oposição demonstram face a um eventual aumento de impostos, que tem sido afastado pelo Governo. Já as grandes empresas são as que estão mais disponíveis para fazer esse esforço fiscal para mitigar o impacto da Covid-19 nas contas do Estado, com 75% das grandes empresas recetivas a mais impostos.

A AIP dá ainda conta de que “13% acham que a existir esse esforço fiscal deveria recair nas grandes empresas digitais”, como a Google ou a Amazon.

O estudo revela também que 77% das empresas inquiridas concordam com a continuidade do diferimento de quotizações e contribuições e 75% são a favor de que se mantenha o adiamento do pagamento de IVA e retenções de IRS. As grandes empresas (67%) são as que menos concordam com esses adiamentos, sobretudo no sector da agricultura e pescas, em que mais de metade das empresas não concordam com o prolongamento dessas medidas fiscais e contributivas.

“Tecido empresarial ainda não saiu da fase de resiliência”, alerta AIP

Além da prorrogação do pagamento de impostos, 97% das empresas concorda com a continuidade do Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva da Atividade (AERP) em empresas em situação de crise empresarial e 78% é a favor da prorrogação das moratórias. Dessas, 92% defendem a aplicação para todos os setores, com a prorrogação de juros e capital enquanto a pandemia se mantiver ativa nos principais mercados (33%).

Os sectores do alojamento e restauração (85%), transportes e armazenagem (82%) e serviços (80%) são os que mais concordam com a prorrogação das moratórias, assim como as pequenas e médias empresas (78%), enquanto as grandes empresas (43%) são as que mais pretendem prorrogações de capital e juros até ao final de 2021. “Isto demonstra que o tecido empresarial ainda não saiu da fase de resiliência”, diz a AIP.

A AIP nota ainda que, “neste momento é escasso o apoio financeiro às empresas” e que “as poucas linhas existentes têm taxas de reprovação e/ou não decisão muito elevadas”. O estudo mostra que 47% das empresas aderiu as linhas Covid-19 e que 87% das candidaturas foram aprovadas. Já os apoios à descarbonização e economia circularam foram procurados por apenas 2% e a taxa de reprovação chegou a 50%.

“As linhas de apoio ao investimento que, entretanto, foram tomadas continuam com reduzidas taxas de aprovação”, indica a AIP, dando como exemplo o Programa +CO3SO Emprego que “ainda não tem qualquer despacho” e o Programa de Apoio à Produção Nacional (PAPN) que ainda não tem nenhuma decisão.

“Mais preocupante é o que se passa com o CRHAQ [Contratação de Recursos Humanos Altamente Qualificado], para contratação de licenciados, mestrados ou doutorados, onde só 54% das empresas tiveram candidaturas aprovadas. A contratação de trabalhadores altamente qualificados não está a ter os níveis de aprovação esperados. Há POR (Programas Operacionais Regionais) onde a taxa de aprovação é de apenas 11%”, acrescenta.

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