Albuquerque desafia Governo: “Se o dinheiro é à borla, porque cobram tanto dinheiro através do IRS para devolver um ano depois?”

Segundo a ex-governante, “a grande maioria dos contribuintes recebe um reembolso significativo, em função do seu nível de rendimento, obviamente no ano a seguir, o que significa que adiantou demasiado dinheiro ao Estado”.

A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque (PSD) defendeu hoje que se aproveite o atual momento para corrigir as tabelas de retenção de IRS, aproximando o valor que se retém a cada contribuinte daquilo que ele tem efetivamente que pagar.

“Lanço um desafio, em especial ao PS, que se o dinheiro é à borla, as taxas de juro estão em níveis negativos, porque continuamos a cobrar tanto dinheiro aos contribuintes através do IRS para devolver um ano depois. Talvez fosse uma boa altura para corrigir este sistema, porque há melhores formas de poupança do que esta”, disse a antiga ministra do governo de Passos Coelho numa conferência na Nova School of Business & Economics em que participava também o antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade (PS).

Em declarações à agência Lusa no final da sessão, Maria Luís Albuquerque explicou que a afirmação feita surgiu na sequência de um comentário de Rocha Andrade “que dizia que neste momento para o Estado, a curto prazo, o dinheiro é à borla, ou melhor, até é mais do que isso porque estamos com taxas de juro negativas e portanto que o Estado não tinha nenhuma vantagem em cobrar antecipadamente e procurar adiantamentos dos contribuintes, que isso não traria nenhuma vantagem financeira”.

“A minha resposta foi nesse sentido: se não deveremos aproveitar este momento para fazer essa correção estrutural em termos do que são as tabelas de retenção para que se aproxime o mais possível aquilo que se retém a cada contribuinte daquilo que ele tem efetivamente que pagar”, disse.

Segundo a ex-governante, “a grande maioria dos contribuintes recebe um reembolso significativo, em função do seu nível de rendimento, obviamente no ano a seguir, o que significa que adiantou demasiado dinheiro ao Estado”.

Maria Luís Albuquerque considera assim que é necessário aproveitar este momento “em que reconhecidamente o Estado não precisa dessa ajuda” para fazer essa correção.

“Esse momento de ajustamento deve ser feito quando houver condições para isso e as condições seriam agora em que o financiamento de curto prazo está, de facto, até com taxas negativas”, concluiu.

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