Alemanha desbloqueia discussões sobre garantia de depósitos europeia

Eurogrupo agradado com proposta do ministro Olaf Scholz. Negociações políticas devem começar no próximo mês, indicou Mário Centeno.

A reunião do Eurogrupo desta quinta-feira ficou marcada pela discussão de propostas de aprofundamento da união bancária na zona euro e criação de um sistema de seguros de depósitos comum na região da moeda única. O ministro das Finanças alemão apresentou uma proposta cujos traços gerais foram bem recebidos pelos restantes ministros. O objetivo é começar as negociações políticas no próximo mês.

“Todos nós saudámos a contribuição do ministro das finanças quanto ao EDIS. Espero que nos ajude a chegar a acordo sobre um roteiro para iniciar negociações políticas em dezembro”, disse o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, no final do encontro.

A proposta de Olaf Scholz consiste num sistema de seguros complementar às garantias de depósitos nacionais, que protegem as poupanças até 100 mil euros ao abrigo da legislação comunitária. O sistema de seguros europeu seria ativado uma vez esgotados os instrumentos nacionais.

Os ministros das Finanças consideram que completar a união bancária, incluindo um seguro de depósitos, tornará a zona euro mais resistente a possíveis choques no sistema financeiro, como os que ocorreram durante a crise do euro, em que a percepção de risco de alguns países, como Portugal ou Grécia, contagiou os respectivos sistemas financeiros.

“Ainda é uma discussão difícil e precisaremos avançar passo a passo, mas isso não é diferente do que fazemos na Europa noutros casos”, disse Mário Centeno, que garantiu haver agora “um novo clima na sala”.

O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, que participou na reunião do Eurogrupo, mostrou também agrado. “É um bom avanço. Podemos estar mais otimistas do que nunca, depois desta reunião”, afirmou Pierre Moscovici.

Também o diretor do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira, Klaus Regling, mostrou contentamento com o desfecho da reunião. “Se tivesssemos uma garantia de depósitos há dez anos todos os programas de assistência teriam sido menores”, argumentou.

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