Aliança, PPM e Democracia 21 pedem repetição das legislativas nos círculos da Europa e de Fora da Europa

Cartas ao Presidente da República e Ministério da Administração Interna visam assegurar que eleitores não sejam excluídos, como “se exige numa democracia estável e madura”. Contagem dos votos enviados pelo correio que determinam eleição de quatro deputados arranca nesta quarta-feira e ainda não chegou nenhum envelope da África do Sul.

O Partido Popular Monárquico e o movimento Democracia 21, que apresentaram listas conjuntas nas legislativas, foram as primeiras forças políticas a reagir à carta enviada pelo Aliança às restantes forças partidárias com um apelo para que peçam ao Presidente da República e ao Ministério da Administração Interna a repetição do ato eleitoral de 6 de outubro nos círculos da Europa e de Fora da Europa.

A carta enviada pela comissão executiva do Aliança aos outros partidos é justificada com “inúmeras situações ocorridas que não permitiam o voto em diversos países”, requerendo a mudança para um sistema de voto eletrónico devido às falhas no sistema baseado no envio de boletins de voto por via postal, lançado nestas legislativas. Enviada na segunda-feira, dois dias antes da contagem dos votos dos emigrantes portugueses que definirá os últimos quatro mandatos a atribuir na Assembleia da República, a missiva visa, segundo o partido fundado e presidido por Pedro Santana Lopes, garantir que todos os portugueses possam exercer o direito de voto.

Segundo o diretor executivo e porta-voz do Aliança, Bruno Ferreira Costa, as denúncias de portugueses que não puderam votar porque não chegaram a receber o boletim de voto por erros de endereço, bem como por atrasos nos correios ou devolução de envelopes por não ser reconhecido o porte pago pelos serviços postais dos países de residência, demonstram o falhanço do novo sistema de votação.

“No primeiro ato eleitoral em que se esperava uma participação muito maior verificou-se a exclusão de 140 mil portugueses”, disse Bruno Ferreira Costa ao Jornal Económico, acreditando que outros partidos se irão juntar ao apelo, “até pela dignificação do processo”, visto que assegurar o direito ao voto a todos aqueles que pretendam exercê-lo “é o que se exige de uma democracia estável e madura”.

Sem prejuízo da tomada de posse dos restantes 226 deputados da Assembleia da República, a solução preconizada pelo Aliança para a repetição da votação nos círculos da Europa e de Fora da Europa é um voto eletrónico que, no entender do porta-voz do partido, não só seria seguro, através da atribuição de passwords aos eleitores, como evitaria o atraso na contagem dos votos, patente no facto de, nas presentes eleições, “só se saber os resultados eleitorais dez dias depois”.

O escrutínio dos votos enviados por correio pelos portugueses residentes no estrangeiros irá decorrer nesta quarta-feira, em Lisboa, tendo sido até agora recebidos 138 mil envelopes com votos. Sabe-se, no entanto, que nenhum dos 32.596 envelopes expedidos da África do Sul chegou a Portugal, sendo improvável que tal venha a suceder a tempo de influírem na eleição dos dois deputados pelo círculo de Fora da Europa.

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