Ana Mendes Godinho recordou que “noutros países as pessoas foram encontradas abandonadas”

Ministra do Trabalho e da Solidariedade elogiou a “mobilização extraordinária” que considera ter evitado situações mais graves ocorridas noutros países, enquanto Marta Temido apontou responsabilidade a quem “faz atividade económica com a guarda de outros” numa altura em que a pandemia fez do Estado “o grande guarda-chuva de todos”.

João Relvas/Lusa

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, que foi acusada de relativizar o impacto da Covid-19 nos lares de terceira idade em agosto, na sequência da sua entrevista ao “Expresso”, reafirmou nesta quarta-feira na Assembleia da República que a “mobilização extraordinária de todos os que estão no terreno” impediu que a situação tenha sido mais grave. “Noutros países as pessoas foram encontradas abandonadas”, disse a governante durante a audição conjunta com a ministra da Saúde, Marta Temido, no âmbito das comissões parlamentares da Saúde e do Trabalho e Segurança Social, motivada pelo surto no lar de Reguengos de Monsaraz que provocou 18 das mais de 700 mortes que a pandemia causou nesse tipo de estruturas residenciais.

Respondendo a perguntas da deputada Bebiana Cunha, do PAN, Ana Mendes Godinho salientou ainda o “estigma negativo e injusto” que está a ser lançado sobre os trabalhadores dos lares de terceira idade, que garantiu aumentar a dificuldade no recrutamento de pessoas para compensar a escassez de recursos humanos. “Desistem no dia em que vão trabalhar”, disse a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Depois de Bebiana Cunha ter questionado o recurso “um pouco forçado” a desempregados inscritos nos centros de empregos, pois o trabalho na área social “requer competências específicas e muito próprias”, Ana Mendes Godinho disse que o Instituto do Emprego e Formação Profissional está a assegurar “formação rápida”, mas também colocou responsabilidade nos diretores técnicos das instituições, que “têm de enquadrar esses reforços extraordinários assumidos por todos nós”.

Também Marta Temido referira que “temos de ter noção de que as pessoas que fazem atividade económica com a guarda de outros têm responsabilidades e não se podem afastar quando sentem dificuldades”. “Todos percebemos, com a pandemia, que o Estado é o grande guarda-chuvas de todos”, reforçou a ministra da Saúde, apontando casos de lares com falta de meios e planos de contingência pouco cuidados, executados “mais como um dever de ofício do que como um exercício de reflexão” para os piores cenários.

Bebiana Cunha apresentou o caso concreto do Lar Fonte Serrã, onde todos os trabalhadores ficaram em quarentena ou isolamento profilático, forçando a substituição por uma nova equipa, onde houve relatos de “idosos desorientados, desidratados e com ausência de higiene e falha na medicação”, como um exemplo de falta de planeamento e de “decretos que não vão para além do papel”.

Segundo a deputada do PAN, que reconheceu a importância do recrutamento de 39 profissionais de saúde em curso, “teria sido fundamental que as unidades de saúde locais tivessem tido mais meios desde o início” para monitorizar a situação nos lares de terceira idade.

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