André Ventura exige demissão de Fernando Medina

Líder do Chega considera que o presidente da Câmara de Lisboa “violou grosseiramente os seus deveres de titular de cargo político” devido ao envio de informações pessoais de manifestantes à Embaixada da Rússia.

André Ventura

O presidente e deputado único do Chega, André Ventura, juntou-se à lista de políticos que exigem a demissão de Fernando Medina devido ao envio de dados pessoais de ativistas russos anti-Putin à Embaixada da Rússia.

Num comunicado divulgado na tarde desta sexta-feira, André Ventura defende que Fernando Medina não tem outra alternativa, pois “violou grosseiramente os seus deveres de titular de cargo político em Portugal e a legislação aplicável em matéria de proteção das liberdades fundamentais e do proteção de dados pessoais”.

Recordando que o Chega já pediu uma investigação imparcial da Procuradoria Geral da República (PGR) a eventuais pressões russas, Ventura diz que “a política faz-se com ética e sentido de responsabilidade”, e como considera que “neste caso ambos os elementos estiveram ausentes” encara como inevitável a retirada de consequências políticas por parte do presidente da Câmara de Lisboa.

“Nem as explicações de Fernando Medina, nem a atitude ingénua do ministro dos Negócios Estrangeiros, podem ser consideradas satisfatórias para os cidadãos portugueses e para o padrão do Estado de Direito que defendemos para Portugal”, defende o líder do Chega.

A demissão de Fernando Medina, que apresentou desculpas públicas pelo envio de dados pessoais de promotores de manifestações a estados estrangeiros – além da Rússia, terão sido enviadas informações às embaixadas de Israel e da Venezuela -, mas afastou qualquer intenção de se afastar do cargo, também foi exigida por Carlos Moedas, candidato à presidência da Câmara de Lisboa apoiado pelo PSD e CDS-PP. Os líderes desses dois partidos, Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos, também deixaram claro que o autarca deve assumir consequências políticas deste caso, tal como sucedeu com o presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo.

Relacionadas

Câmara de Lisboa entregou a Moscovo dados pessoais de três ativistas russos em Portugal

Os dados terão sido obtidos na sequência de um protesto frente à embaixada da Rússia em Lisboa, a 23 de janeiro deste ano, evento onde é necessário enviar para a autarquia os dados pessoais de pelo menos três dos organizadores.

Da esquerda à direita: O que dizem os partidos sobre a cedência de dados à Rússia?

Na generalidade, deputados e candidatos à Câmara de Lisboa pretendem ver a situação esclarecida e apontam para “a violação da lei.”

PremiumMedina pressionado a sair após entrega de dados de manifestantes anti-Putin

Polémica gera críticas à esquerda e à direita, mas autarca lisboeta recusa demitir-se. “Trata-se de aproveitamento político e delírio da oposição”, diz.
Recomendadas

G7. Primeiro-Ministro britânico considera “momento histórico” declaração para prevenir futuras pandemias

“Com este acordo, as principais democracias do mundo vão comprometer-se a evitar que uma pandemia global volte a acontecer, para que a devastação causada pela covid-19 nunca se repita”, disse Boris Johnson, na sua conta na rede social Twitter.

G7: Líderes da UE alertam Londres para respeitar acordo de saída

Em causa estão divergências sobre a aplicação do acordo na Irlanda do Norte, onde o Reino Unido tomou medidas unilaterais para mitigar o impacto da introdução de controlos aduaneiros na circulação de algumas mercadorias, como produtos alimentares frescos. 

Bolsonaro age para partidarizar e quebrar espinha das Forças Armadas no Brasil, dizem analistas

Na semana passada, o general e comandante do Exército brasileiro, Paulo Sérgio Oliveira, decidiu não punir o também general do Exército Eduardo Pazuello, que participou num passeio de moto no Rio de Janeiro, com o Presidente da República, e até discursou em cima de um carro de som em 23 de maio.
Comentários