André Ventura responde a Costa: “Conte comigo para denunciar os familiares que tem no Governo ou as negociatas com empresas amigas”

O líder do PS disse ontem que os socialistas não contam com o Chega “para nada”. O líder do novo partido que garantiu um lugar no Parlamento como deputado reagiu esta tarde: “Eu sei, Dr. António Costa. Mas conte comigo para denunciar os familiares que tem no Governo, o desemprego jovem ou as negociatas com as empresas amigas como as golas inflamáveis”.

O líder do Chega, eleito deputado por Lisboa, já respondeu a António Costa que após confirmada a vitória do PS nas eleições legislativas com 36,65% dos votos (106 deputados) afirmou não contar ”para nada” com este novo partido com representação na Assembleia da República.

Num post no seu facebook, publicado esta tarde, André Ventura reage: “Eu sei, Dr. António Costa. Mas conte comigo para denunciar os familiares que tem no Governo, o desemprego jovem ou as negociatas com as empresas amigas como as golas inflamáveis . Conte comigo para lhe apontar o caminho para um país melhor”.

A reacção de André Ventura surge menos de 24 horas depois de o líder do PS ter sinalizado não ter dúvidas com quem pretende trabalhar e sobre quem será rejeitado. Após o discurso que congratulou-se com a vitória do PS neste domingo, 6 de Outubro, questionado sobre o recém-chegado Chega, o partido de André Ventura, Costa foi perentório: “Nós não contamos com o Chega para nada.”

Ontem, o líder socialista mostrou-se satisfeito com os resultados eleitorais que deram aos socialistas uma vitória de 36,65% (106 deputados)  em que, realçou António Costa, “o PS reforçou a posição política”, tornando-se no “único partido político que elege deputados em todos os círculos eleitorais do território” e que “ganhou mesmo em 15 dos 20 círculos eleitorais”.

Para António Costa o “quadro de parceiros com quem faz sentido trabalhar” está apresentado e o PS “tudo fará para que seja possível”. Contudo, ressalvou, “não são só os outros que têm cadernos de encargos, nós também temos” e alertou que os outros partidos – os parceiros da geringonça da última legislatura e o PAN – “têm mesmo de contribuir para a estabilidade política para os próximos quatro anos”, nomeadamente quem “fez campanha contra a maioria absoluta do PS” – uma referência clara ao Bloco de Esquerda.

Já o presidente do Chega que garantiu um resultado de 1,3% (66.442 votos), conseguindo ser eleito para o Parlamento, destacou o “feito histórico” do partido, “o mais votado dos partidos pequenos”, e rejeitou acordos para formar Governo.

Em declarações aos jornalistas, em Lisboa, André Ventura considerou que o Chega devolveu “a esperança a um país que não a tinha”, sublinhando que com “poucos meses [de existência” o partido “conseguiu um lugar na Assembleia da República”.

“O dr. António Costa escusa sequer de me contactar, porque não vale a pena”, reiterou André Ventura, acrescentando também que “está fora de questão” qualquer acordo com PSD e CDS.

Ventura sublinhou ainda que foi o partido pequeno mais votado, com apenas poucos meses de existência. E  afirmou que esta eleição para o Parlamento é mérito de um “país que pela primeira vez em 45 anos não teve medo de votar num partido verdadeiramente de direita”.

André Ventura disse ainda que “chega de corrupção”, e que os problemas que foram levantados não vão poder ser ignorados. Sublinhou que a mensagem do Chega chegou aos “quatro cantos de Portugal”, que não vai parar de crescer, e que daqui a oito anos vai ser o maior partido de Portugal.

Ler mais
Recomendadas

Costa reúne esta segunda-feira com Presidente da República para entregar nomes de secretários de Estado

O gabinete do primeiro-ministro enviou este domingo, 20 de outubro, uma nota onde refere que “o primeiro-ministro solicitou hoje uma audiência ao Presidente da República para lhe apresentar os nomes dos secretários de Estado”.

Sondagem Aximage: Maioria julga que António Costa sabia o que se passou em Tancos

Parte considerável dos eleitores também têm a impressão de que Marcelo Rebelo de Sousa também estava ao corrente daquilo que se estava a passar. PSD terá sido o partido mais beneficiado com o “caso de Tancos” e o PS o mais prejudicado nas urnas.
assunção_cristas_rui_rio_debate_legislativas_1

Direita unida numa só lista teria mais um deputado do que o PS

Se os eleitores do PSD, CDS-PP, Iniciativa Liberal, Chega e Aliança tivessem votado na mesma lista esta teria colocado 97 deputados na Assembleia da República, ganhando dez ao PS. Mas bastaria o partido de André Ventura ficar de fora para os socialistas continuarem a ter mais parlamentares do que os existentes à sua direita.
Comentários