Antigos presos políticos expressam “veemente repúdio” pela criação de Museu Salazar

Os ex-presos políticos querem impedir a construção do museu, que dizem que mais do que esclarecer a população sobre o que foi o regime fascista, servirá de “centro de romagem para os saudosistas do regime”.

Mais de 200 ex-presos políticos expressam esta quarta-feira, numa missiva enviada ao Governo e ao Parlamento, “o mais veemente repúdio pelo anúncio da criação de um Museu Salazar”. Os ex-presos políticos querem impedir a construção do museu, que dizem que mais do que esclarecer a população sobre o que foi o regime fascista, servirá de “centro de romagem para os saudosistas do regime”.

“[O Museu Salazar] longe de visar esclarecer a população e sobretudo as jovens gerações sobre o que foi o regime fascista, prefigura-se como um instrumento ao serviço do seu branqueamento e um centro de romagem para os saudosistas do regime derrubado com o 25 de Abril”, lê-se numa carta enviada ao primeiro-ministro, António Costa, e ao presidente do Parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues.

O anúncio da criação de um “Museu Salazar” foi feito pelo presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia, no fim do mês de julho. O autarca afirmou que “depois de muita polémica em torno do espólio do ditador, que chegou até aos tribunais e à Assembleia da República, o museu do Estado Novo irá abrir portas a seguir ao verão”, na terra natal de Salazar, Santa Comba Dão.

Os signatários da missiva defendem ainda que “quando em muitos países se assiste ao renascer de forças fascistas e fascizantes, o país precisa não de instrumentos de propaganda do fascismo – que a Constituição da República expressamente proíbe –, mas de meios de pedagogia democrática que não deixem esquecer o cortejo de crimes do fascismo salazarista e preserve a memória das suas vítimas”.

No documento, apelam ainda ao Governo para agir “em conformidade com o relatório aprovado por unanimidade, em julho de 2008, pela Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia da República, e com normas da Constituição da República Portuguesa, intervenha para impedir a concretização desse projeto”.

Os subscritores da carta apelam ainda “a todos os democratas e amantes da liberdade que se manifestem contra a criação, nos termos em que tem vindo a ser anunciado, desse memorial ao ditador”.

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