Primeiro-ministro demarca-se do presidente socialista da Câmara da Azambuja devido a menção a famílias ciganas

“Não passo a concordar consigo quando passo a discordar dos meus autarcas”, disse o primeiro-ministro ao responder a uma pergunta de André Ventura durante o debate quinzenal. Luís de Sousa admitiu cordão sanitário em torno de bairro social, identificando a etnia dos infetados com Covid-19.

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O primeiro-ministro António Costa criticou o presidente da Câmara da Azambuja, Luís de Sousa, por este admitido a hipótese de pedir um cordão sanitário em redor de um bairro social onde residem infetados com Covid-19, os quais identificou como sendo de “etnia cigana”. Aconteceu nesta quarta-feira, durante o debate quinzenal da Assembleia da República, depois de André Ventura lhe perguntar se passara a reconhecer a existência de “um problema com os ciganos em Portugal” na sequência das palavras do autarca eleito pelo PS.

“Não passo a concordar consigo quando passo a discordar dos meus autarcas. E quando eles dizem as mesmas coisas que o senhor diz, eu discordo na mesma”, disse António Costa, ouvindo de André Ventura que “talvez o seu autarca seja o próximo candidato do Chega à Câmara da Azambuja”.

As palavras de Luís de Sousa já tinham sido criticadas por Catarina Martins, tendo a coordenadora do Bloco de Esquerda considerado “inaceitável” exigir um cordão sanitário, sem especificar o facto de o autarca ter referido a etnia da “família de seis pessoas” infetada com Covid-19. “Medidas de carácter discriminatório são inaceitáveis. A lei é igual para todos e está sujeito a confinamento domiciliário obrigatório quem está doente ou quem esteve em contacto com quem esteja, seja qual for a etnia, nacionalidade, religião, o que for”, respondeu então António Costa.

Em declarações à Lusa, o autarca socialista da Azambuja disse que a situação no bairro social da Quinta da Mina envolvia “nove famílias de etnia cigana”. “Já enviei a listagem para as autoridades de saúde e esperamos agora para saber o que podemos fazer. Não excluo a necessidade de existir uma vigilância activa destas pessoas, uma espécie de cordão”, esclareceu, numa hipótese prontamente refutada pelo delegado de saúde.

Luís de Sousa negou ao “Público” que a identificação da etnia dos infetados com Covid-19 tenha algo a ver com xenofobia. “Se não me falarem de etnia cigana eu não digo, mas também não tenho problemas nenhuns em dizer que são famílias de etnia cigana. Eu não sou racista, sou muito amigo deles todos e eles de mim. Temos aqui uma amizade estreita”, disse.

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