“António Costa Silva? A CIP tem como interlocutores os membros do Governo”, avisa vice-presidente dos ‘patrões’

A CIP não descarta uma eventual reunião com António Costa Silva sobre a criação de um programa para as pequenas e médias empresas, mas vincou que terá uma postura institucional.

Rafael Campos Ferreira

A CIP — Confederação Empresarial de Portugal, não recusa participar numa eventual reunião com o professor do Instituto Superior Técnico e CEO da Partex, António Costa Silva, que foi convidado pelo primeiro-ministro, António Costa, a preparar um plano estratégico para a retoma da economia, mas salienta que o seu interlocutor é o Governo e que manterá sempre uma posição institucional.

Rafael Campos Pereira, vice-presidente da CIP, quando questionado sobre a posição da associação dos patrões perante o convite de António Costa a António Costa Silva, referiu esta segunda-feira, numa conferência de imprensa através de meios telemáticos, que “a CIP tem como interlocutores os membros do Governo e nomeadamente o ministro da Economia, o ministro do Trabalho, o primeiro-ministro e todos aqueles membros do Governo que liderarem ou que tutelarem as pastas e os dossiês com os quais a CIP tem de interagir com o Governo. Esses são os nossos interlocutores, como também os órgãos em que participamos, nomeadamente na Comissão Permanente de Consertação Social”.

O vice-presidente da CIP falava durante a conferência de imprensa que se seguiu à apresentação dos resultados do inquérito “Sinais Vitais”, realizado em conjunto entre a CIP — Confederação Empresarial de Portugal e o Marketing FutureCast Lab do ISCTE.

No domingo passado, António Costa Silva explicou, em entrevista à RTP, que está a delinear um plano para a retoma da economia assente em quatro eixos, entre os quais se destaca a criação de um “grande programa para as pequenas e medias empresas, que são mais de 95% do nosso tecido empresarial”, matéria sobre a qual a CIP tem interesse.

Questionado sobre se a CIP já tinha sido ouvida ou se esperava ser ouvida sobre a criação deste programa, Rafael Campos Pereira remeteu a resposta para um passado recente. “A CIP tem sido ouvida por este Governo, tem apresentado um conjunto de propostas e esperamos que continuem a ser acolhidas cada vez mais no sentido de ajudarmos a defender a economia portuguesa e a salvaguardar a iniciativa privada e o setor empresarial.

Rafael Campos Pereira também foi questionado sobre uma eventual reunião entre a CIP e António Costa Silva, não a descartando, mas vincou que a CIP manterá uma postura institucional. “A posição da CIP não deixará de ser institucional. Como é evidente, o professor António Costa Silva, se vier a ser incumbido pelo Governo para a realização de algum trabalho, será institucional e oficial, não poderá deixar de o ser”.

“Nesse sentido, avaliaremos e, naturalmente, qualquer reunião institucional, a CIP nunca faltou nem faltará. Quanto a isso, é um não problema. Avaliaremos e nunca deixaremos ninguém a falar sozinho e também temos a certeza absoluta que o Governo não vai incumbir ninguém ad hoc para tratar de assuntos que dizem respeito à política do Governo. Será sempre alguém mandatado formal e institucionalmente pelo Governo”, adiantou.

Rafael Campos Pereira não se quis pronunciar sobre o que pensa António Costa Silva em relação ao posicionamento do Estado na economia. “A única coisa que dizemos é que a CIP defende que o Estado deve ser regulador e forte, mas não um Estado que venha a intervir excessivamente na economia”, realçou o vice-presidente dos patrões.

“Defendemos que o Estado use os recursos dos contribuintes para fazer face a dificuldades destas, como aquelas que estamos a atravessar. As nossas propostas quanto ao plano são conhecidas, estamos a falar da capitalização das empresas, na ajuda às empresas através das linhas de crédito, nos seguros de crédito, manter o regime de lay-off simplificado, entre outras. Não nos vamos pronunciar sobre o que o professor António Costa Silva pensará e sobre a sua visão da economia”, concluiu.

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