António Costa sobre Amazónia: “O Brasil precisa de solidariedade e não de sanções”

“A Amazónia é um dos maiores pulmões do mundo e o que lá acontece é um problema global”, afirmou António Costa aos jornalistas, aquando de uma visita à Fatacil, em Lagoa.

António Costa/Twitter

O primeiro-ministro apelou esta sexta-feira à “total solidariedade” com o Brasil e com o povo brasileiro perante a situação “dramática” que está a viver na Amazónia. “A Amazónia é um dos maiores pulmões do mundo e, portanto, o que lá acontece é algo que diz respeito a todos os cidadãos, é um problema global”, afirmou António Costa esta tarde aos jornalistas, aquando de uma visita à Fatacil, em Lagoa, no Algarve.

O chefe do Executivo português manifestou a disponibilidade de apoio para enfrentar os incêndios e defendeu que “o Brasil precisa de solidariedade e não de sanções”. Em declarações aos meios de comunicação social, António Costa aconselhou também a não confundir o “drama que está a ser vivido neste momento na Amazónia” com o acordo entre a União Europeia e a Mercosul.

“É um acordo comercial muito importante para a economia portuguesa, que teve mais de 20 anos a ser negociado, em que finalmente houve um acordo, em julho (…). A tragédia não deve ser utilizada por aqueles países que sempre se opuseram para reabrir o tema”, alertou o primeiro-ministro português, lembrando a historial de relações fraternas entre os dois países [Portugal e Brasil].

A Amazónia arde há 19 dias consecutivos. A zona responsável por 20% do oxigénio produzido a nível mundial tem marcado a agenda mediática devido aos intermináveis fogos florestais. Um abaixo-assinado no website ‘Change’ pretende recolher um total de seis milhões de assinaturas para “impedir o desmatamento e exploração da Amazónia”. Esta petição já reúne perto de cinco milhões de subscrições que estão contra a destruição da “maior biodiversidade numa floresta tropical no mundo”.

Na descrição da petição, a descrição aponta o dedo a uma notícia publicada pela ‘G1’ da Globo, em que Jair Bolsonaro defendeu a exploração da Amazónia, enquanto ainda realizava a sua campanha eleitoral em agosto do ano passado. Numa entrevista à ‘Rede Amazónica’ da TV Globo, o agora presidente do Brasil defendeu a exploração da floresta tropical pelo agronegócio, criticando a fiscalização ambiental em excesso às áreas protegidas que atrapalhavam o desenvolvimento do Brasil.

“O Brasil não suporta ter mais de 50% do território demarcado como terras indígenas, juntamente com áreas de preservação ambiental, com parques nacionais. E essas reservas todas atrapalham o desenvolvimento”, sustentou o presidente brasileiro.

Jair Bolsonaro está a ser criticado publicamente por alegar não ter recursos para apagar os fogos. “A Amazónia é maior que a Europa, como vamos combater os incêndios criminosos numa área como essa?”, perguntou ele aos repórteres, afirmando que “nós não temos recursos para isso”.

O jornal brasileiro “Folha do Progresso” avançou que os incêndios tiveram origem na operação ‘Dia do Fogo’, originada por um conjunto de criadores de gado, que combinaram atear fogo à floresta. A publicação avança que a reunião dos criadores aconteceu cinco dias antes do início dos incêndios.

Ler mais
Recomendadas

Lisboa quer chegar ao fim de 2020 com quatro mil compostores

A instalação de painéis solares para dar energia a automóveis ou o aproveitamento de óleos alimentares para se transformarem em energia para carros que usem combustíveis fósseis foram outras medidas anunciadas pelo vereador Carlos Castro nas 11ªas Jornadas Técnicas Internacionais de Resíduos que estão a decorrer na capital até à próxima segunda-feira.

Ministro da Educação destaca retirada de amianto das escolas mas problema não acabou

O Ministério da Educação removeu “muitos milhares de metros quadrados de placas com amianto” das escolas nos últimos quatro anos, mas o ministro reconhece que ainda há trabalho a fazer.

Zero, MESA e Fenprof lançam petição para remoção total do amianto nas escolas

A associação ambientalista Zero, o MESA – Movimento Escolas Sem Amianto e a Fenprof lançam hoje uma petição pública a exigir a remoção total do amianto nos estabelecimentos de ensino, traçando como objetivo a discussão do documento no parlamento.
Comentários