Às portas da Europa, Sérvia continua a investir no rearmamento

Depois da compra de drones e sistemas de defesa à China, chegam agora ao país tanques de guerra de fabrico russo. O embaixador sérvio em Moscovo desafiou a União Europeia a censurar a decisão do governo do seu país.

Antonio Bronic / Reuters

Paulatinamente, a Sérvia – primeira responsável por quase todas as guerras civis que dizimaram a antiga Jugoslávia a partir do seu colapso, nos últimos anos do século passado – está a comprar armamento (ou a recebê-lo de graça) em vários mercados. Depois de já este ano ter adquirido drones de última geração e um novo sistema de defesa a empresas chinesas, chegou agora a vez de a Sérvia receber um presente da Rússia.

O embaixador sérvio em Moscovo, Miroslav Lazanski, disse que a ajuda militar russa no valor de 180 milhões de dólares está a chegar à Sérvia. Essa ajuda consiste em 30 tanques russos T-72 e 30 veículos blindados BRDM modernizados para o exército sérvio. Logo a seguir, chegarão aviões de combate.

Para o diplomata, mais esta ‘ajuda’ é um indicador seguro de que as relações entre a Sérvia e a Rússia estão em grande plano. O negócio foi acordado pelo presidente sérvio Aleksandar Vucic e o seu homólogo russo, Vladimir Putin.

Miroslav Lazanski não se esqueceu de enaltecer a ajuda da Rússia e de lembrar que o Ocidente destruiu muito do armamento sérvio em 1999, quando a NATO interveio (com o apoio do atual candidato à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden) no cenário de guerra dos Balcãs.

Questionado sobre se a Sérvia deveria temer a reação da Comissão Europeia, Lazanski disse que a Sérvia é um país soberano, com uma política externa independente da União. “Não entraremos em nenhuma aliança militar e compraremos armas guiados principalmente pelos interesses da nossa segurança, sem pressão política. Se alguém na União se incomodar por comprarmos armas à Rússia, China, Israel e Turquia, deveriam saber que podemos estar incomodados com o facto de que a Roménia ter comprado o sistema Patriot norte-americano”, disse Lazanski citado pelos jornais sérvios.

A Sérvia faz parte do grupo de países dos Balcãs que querem entrar na União Europeia – estando a ser monitorizados em relação a uma série de itens que, se não cumpridos, inviabilizarão a adesão. O processo está atrasado e nenhum país parace estar interessado em apressá-lo. A compra de armamento por parte da Sérvia não será com certeza um fator que a Comissão valorize como conforme à entrada na União.

A Sérvia foi, como ficou demonstrado pelos tribunais internacionais, o principal responsável pelas sangrentas guerras que se sucederam nos Balcãs depois do fim da Jugoslávia. A União tem conhecimento de que uma parte do país e dos políticos que entretanto chegaram ao poder tender a ser negacionistas em relação à questão – mas é difícil esquecer que Slobodan Milosevic era sérvio e foi inegavelmente o maior responsável pelos milhares de mortos (e respetivos genocídios) que ali se verificaram, às portas da Europa. Na altura, a União não só não soube antecipar os acontecimentos, como não soube lidar com eles.

Ler mais
Recomendadas

Donald Trump impediu que equipa de Biden se reunisse com agências de defesa do Pentágono

De acordo com o Pentágono, ocorreram alguns briefings na sexta-feira relativamente a questões militares, onde foi abordada política de alto escalão e questões de segurança internacional, embora a inteligência não tenha sido um dos temas abordados.

Cápsula de sonda japonesa com amostras de asteroide regressa à Terra

A cápsula desprendeu-se da sonda Hayabusa2 há 12 horas e após entrar na atmosfera aterrou na Austrália.

Argentina aprova “imposto dos milionários” para pagar fatura do novo coronavírus

As medidas de bloqueio implementadas pelo país pioraram a situação do país que entrou em recessão em 2018.
Comentários