Assessor de Boris Johnson pressionado a demitir-se depois de violar isolamento

“Na terça-feira, 31 de maio, as nossas autoridades tomaram conhecimento que um indivíduo tinha viajado de Londres para Durham e que se encontrava na cidade”, afirmou um porta-voz da autarquia onde vivem os pais de Cummings.

O principal conselheiro e assessor-chefe de Boris Johnson, Dominic Cummings, está a ser pressionado para se demitir do cargo depois de ter viajado para casa dos pais, na cidade de Durham, quando se encontrava em confinamento por apresentar sintomas de estar infetado pelo novo coronavírus, revela o ‘The Guardian’.

De acordo com o ‘The Guardian’ e ‘Daily Mirror’, que se uniram numa investigação, as autoridades oficiais abordaram o assessor-chefe de Johnson dias depois de este ter sido visto a sair à pressa do escritório de Downing Street, no mesmo dia em que o primeiro-ministro britânico assumiu estar infetado.

No fim de março, altura em que a situação se desenrolou, o governo já tinha instruído a população a não viajar, ainda que dentro do país, e para ficarem nas suas habitações regulares. Segundo os jornais britânicos, foi um cidadão de Durham que viu o conselheiro principal de Johnson e decidiu apresentar queixa

“Na terça-feira, 31 de maio, as nossas autoridades tomaram conhecimento que um indivíduo tinha viajado de Londres para Durham e que se encontrava na cidade”, afirmou um porta-voz da autarquia onde vivem os pais de Cummings, onde este e a mulher se refugiaram. “As autoridades fizeram contacto com os proprietários da habitação e estes confirmaram que o indivíduo em questão se encontrava no local e estava a auto-isolar-se numa secção da casa”, adiantou o porta-voz.

“Se estiver correto, o assessor-chefe do primeiro-ministro quebrou as regras do confinamento”, declarou Tulip Siddip, membro do partido Trabalhista. “As regras do governo foram muito claras: ficar em casa e não fazer viagens não essenciais. As pessoas não esperem que haja uma regras para elas e outra para Dominic Cummings”, acrescentou ao ‘The Guardian’.

No entanto, este não é o primeiro caso em que uma pessoa ligada ao governo quebra as indicações do confinamento aplicado pelo Executivo. No início de maio, o epidemiologista Neil Ferguson, que aconselhou Boris Johnson a fechar o país, demitiu-se depois de ter quebrado o isolamento para estar com uma mulher com quem teria um caso.

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