“Assistirmos a um português no espaço será apenas uma questão de tempo”

Professor do IST especialista em aeroespacial diz ao JE que portugueses são uma “constante” nos concursos da ESA.

Portugal quer conquistar um lugar importante na indústria aeroespacial europeia, uma pretensão que terá ainda mais relevância quando nos quadros da Estação Espacial Europeia (ESA, sigla anglo-saxónica) se encontrar um astronauta português. Para o professor do Instituto Superior Técnico (IST) Fernando Lau é tudo uma questão de tempo.

“Assistirmos a um português no Espaço será apenas uma questão de tempo”, afirma o professor do Centro de Ciências e Tecnologias Aeronáuticas e Espaciais do IST ao Jornal Económico (JE).

Fernando Lau defende que não existem barreiras aos portugueses no acesso a este tipo de carreira, visto que a formação dos astronautas “é essencialmente técnica” e, por isso, é “frequente” que os astronautas tenham diferentes e “vários graus académicos”. O professor do IST salienta “a presença constante de portugueses, muitos deles ex-alunos do IST, nos concursos da ESA para astronautas”.

“A indústria aeroespacial em Portugal está em franco crescimento”, acrescenta. Um crescimento que tem sido impulsionado pela “experiência” dos estudantes e engenheiros da área em programas de mobilidade das universidades (como o IST), projetos de investigação internacionais e em empresas internacionais. O conhecimento adquirido pelos portugueses “levou ao aparecimento de várias pequenas empresas e startups, altamente especializadas e que competem diretamente com o mercado europeu e internacional”, segundo o professor do Técnico.

Fernando Lau está convicto que existe em solo luso uma indústria “altamente especializada”. Exemplo disso é, segundo o académico, a participação de Portugal e do IST no projeto e concepção de microssatélites de observação da Terra.

Por detrás dessa especialização está a formação portuguesa em engenharia aeroespacial. “Nos anos 1990 foram criados os cursos em Engenharia Aeroespacial no ISTe em Engenharia Aeronáutica na Universidade da Beira Interior. No caso do mestrado em Engenharia Aeroespacial do IST, o interesse dos alunos e da própria Indústria levou a um aumento sustentado do numerus clausus do curso, de 35 vagas no seu ano de criação até às atuais 110 vagas. Atualmente, a procura dos alunos é tal que a média de entrada no curso tem sido a mais elevada ao nível nacional [19,13 valores em 2020] nos últimos cinco anos”, frisa o especialista da área.

“Podemos afirmar que Portugal tem, nesta altura, a capacidade em engenharia de participar e criar projetos aeronáuticos e espaciais, tanto ao nível dos conhecimentos dos seus engenheiros como do número de engenheiros formados anualmente”, garante.

A questão impõe-se, naturalmente: que desafios tem, então, Portugal pela frente para se afirmar ainda mais nesta indústria? “A maior parte dos projetos aeronáuticos e espaciais requer investimento avultado, tendo em muitos casos a participação de vários países. Dada a modesta dimensão da indústria nacional, um dos principais desafios passa pela atração de investimento estrangeiro para a criação do porto espacial e de empresas de lançadores espaciais”, responde Fernando Lau.

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