Atraso na entrega do relatório sobre alegada interferência russa na política britânica é “vergonhosa”, critica Hilary Clinton

O governo de Boris Johnson tem na gaveta, desde 17 de outubro, um documento preliminar que avalia a alegada interferência de Moscovo no referendo de 2016, porém só o irá divulgar depois das eleições agendadas para 12 de dezembro. “Estou preocupada, como grande admiradora do Reino Unido, porque não consigo entender o que é que se está a passar”, disse Clinton.

Hillary Clinton considerou a supressão por parte de Downing Street de um relatório sobre a potencial infiltração russa na política britânica “prejudicial, inexplicável e vergonhosa”, cita o The Guardian, esta segunda-feira.

Num evento onde promoveu o “The Book of Gutsy Women”, em co-autoria com a filha Chelsea, a ex-secretária de Estado dos EUA disse: “Estou preocupada, como grande admiradora do Reino Unido, porque não consigo entender o que é que se está a passar”.

Em 2016, a candidata às presidências norte-americanas contou ao The Guardian que era “incrivelmente surpreendente e inaceitável que no seu país haja um relatório do governo sobre a influência russa e que o atual governo não está divulgando”.

O relatório potencialmente incendiário do Comité de Inteligência e Segurança já foi aprovado pelas agências de Inteligência. Downing Street recebeu um rascunho final a 17 de outubro e era esperado que assinasse o relatório até o final do mês passado.

Porém, o governo de Boris Johnson sugeriu que o documento preliminar se deverá manter privado até às eleições, que estão previstas para daqui a um mês. Dominic Grive, o presidente do Comité considerou que a decisão de adiar a publicação do documento era de “fazer cair o queixo”.

“Quer dizer, quem é que pensam que são para privar uma informação desse tipo do publico, especialmente antes de uma eleição?”, questionou a antiga candidata democrata. “Eu digo-vos quem acham que são: Acham que são homens todo-poderosos e fortes que deveriam governar”, criticou vinculando a supressão do relatório a um aumento de líderes autoritários no Ocidente.

O relatório examina especificamente as tentativas da Rússia interferir no resultado do referendo do Brexit de 2016.

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